Sexta-feira, 19 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de junho de 2026
A nona fase da Operação Compliance Zero nessa quinta-feira (18), com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), como principal alvo, ganhou contornos políticos nas redes sociais em uma disputa de narrativa entre aliados do governo e integrantes da oposição.
De um lado, aliados de Jaques Wagner e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizem acreditar na inocência do senador, do outro, opositores atribuem o episódio de fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia, com suposta participação do parlamentar no esquema, a um esquema sistêmico de corrupção no governo federal.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, se manifestou em defesa do líder do governo. Edinho disse confiar que o senador vai comprovar sua inocência e afirmou que o partido apoia as investigações do Caso Master.
“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade. Os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, afirmou em nota.
O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o PT. Embora critique a citação a um petista nas investigações, o próprio Flávio Bolsonaro está envolto no caso Master, ainda que não seja formalmente acusado ou investigado. No mês passado, o site Intercept Brasil revelou que o senador pediu dinheiro a Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, cujo roteiro é inspirado na vida do pai.
“Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder”, disse Flávio Bolsonaro em publicação no X (antigo Twitter).
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse acreditar que o líder do governo no Senado vai conseguir “se explicar e se defender” após ter sido alvo de uma operação da Polícia Federal.
“Eu estou muito tranquilo com isso e acho que o senador Jaques Wagner vai prestar os esclarecimentos devidos à Justiça”, disse o ministro, durante entrevista ao portal Metrópoles.
O senador Sérgio Moro (PL-PR), pré-candidato ao governo do Paraná, afirmou nas redes sociais que “a corrupção apodreceu Brasília”. O ex-juiz federal diz que defende uma “investigação total e irrestrita”.
“Mais uma fase de buscas e apreensões relacionadas a fraudes e subornos do Banco Master, desta vez sobre lideranças do Governo Lula. A corrupção apodreceu Brasília. Depois que enterraram a Lava Jato, acharam que o roubo era livre. Defendo investigação total e irrestrita”, escreveu.
O secretário nacional de Comunicação do PT, Eden Valadares, escreveu que Jaques “teve e tem” inteiro apoio do partido e associa o escândalo do Banco Master ao clã Bolsonaro: “Confiamos que poderá esclarecer qualquer dúvida durante a investigação”.
“Quem autorizou o Banco Master foi o governo Bolsonaro. Quem é íntimo de Daniel Vorcaro, visitou mesmo após a prisão e tem ele como um “irmão” é Flávio Bolsonaro. Quem recebeu milhões de reais deste esquema foi a família Bolsonaro.A tentativa de equiparar essas relações e falsamente criar a ideia de que o escândalo BolsoMaster atinge igualmente todos os campos políticos brasileiros é inócua e revela o grau de desespero de Flávio – que foi pego na mentira, perdeu a pouca credibilidade que tinha e vê sua campanha definhar dia a dia”, escreveu no X.
O Partido Liberal, do ex-presidente Jair Bolsonaro e que acomoda as principais lideranças do bolsonarismo, divulgou uma nota em que associa o PT, do presidente Lula, ao escândalo do Banco Master.
“Eles dizem que não há ligação. Mas, a cada nova fase da operação, novos nomes ligados ao PT voltam ao centro das investigações. O caso “PTMaster” é a prova de que, mesmo mudando os personagens, a corrupção sempre carrega um nome do partido”, diz a nota.
O senador Fabiano Contarato (PT-ES) saiu em defesa de Wagner. Contarato manifestou solidariedade ao colega de partido: “Tenho orgulho da amizade que construímos e absoluta confiança na sua retidão moral”.
“Sou neófito na política e, se ela me trouxe desafios e aprendizados, também me deu algo muito valioso: amizades verdadeiras. Entre elas, a de Jaques Wagner. Nestes quase oito anos de caminhada ao seu lado, aprendi a admirar não apenas o homem público, mas, sobretudo, o ser humano: generoso, leal, sereno e profundamente dedicado à vida pública. O convívio diário tem o poder de revelar a essência das pessoas. E foi justamente essa proximidade que me permitiu conhecer a integridade, o caráter e a honestidade de Jaques Wagner”, escreveu. (Com informações de O Estado de S. Paulo)