Domingo, 05 de Julho de 2026

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O mundo se despediu de Hikaru Kurosaki, ator que deu vida ao Fantástico Jaspion, exibido no Japão entre março de 1985 e março de 1986 em 46 episódios produzidos pela Toei Company. No Brasil, a série estreou em 1988 pela TV Manchete, retransmitida no Sul pela TV Pampa, e rapidamente se tornou febre nacional. Kurosaki começou sua carreira como dublê na Japan Action Club, participando de produções como Spider-Man (1978) e Battle Fever J, até assumir o papel que o transformaria em ícone global.

Após o fim de Jaspion, Hikaru ainda participou de alguns projetos menores e lançou músicas inspiradas no personagem, mas nunca conseguiu repetir o mesmo sucesso. Nos anos seguintes, reinventou-se em diferentes áreas: trabalhou como vendedor de motos, chegou a ser dono de uma lanchonete e, mais tarde, encontrou no mar uma nova vocação. Mudou-se para Okinawa, onde fundou a escola de mergulho Mother Earth, dedicando mais de três décadas a ensinar mergulho e viver uma vida discreta, longe dos holofotes.

Durante as gravações da série, Hikaru conheceu a atriz Yuko Asuka, que interpretava vilãs em produções japonesas. Os dois se casaram, mas não tiveram filhos. A morte de Yuko em 2011 marcou profundamente o ator, que se recolheu ainda mais da vida pública. Sua trajetória mostra como um personagem televisivo pode atravessar fronteiras e se tornar parte da identidade cultural de milhões, mas também revela o lado humano de quem carregou o peso de ser herói: glórias, perdas e reinvenções.

Jaspion foi mais do que entretenimento: tornou-se mito. No Brasil, inspirou músicas, apelidos e até registros civis. A série consolidou a influência japonesa na TV e permanece viva em eventos de cultura pop e cosplay.

Em Santa Catarina, essa memória ganhou corpo através de Cláudio Roberto Rodrigues, morador de Florianópolis, reconhecido internacionalmente como o maior cosplayer de Jaspion no Brasil.

Na época em que eu atuava como editora-chefe do segmento de motos, tive a oportunidade de conhecer Cláudio e registrar um dos momentos mais marcantes da cultura pop regional: a luta entre o Jaspion catarinense e uma motociclista gaúcha. Essa encenação nasceu para explicar ao público porque os pilotos de motos esportivas eram apelidados de “Jaspion”. Eu mesma, como pilota de motos esportivas e a única mulher especialista do RS fui a convocada.

O dia da luta

As fotos daquele dia se tornaram icônicas. O embate entre dois Jaspions — um catarinense e uma gaúcha — simbolizou a força da memória coletiva e a capacidade da cultura pop de atravessar décadas. Mais do que uma performance, foi um espetáculo que uniu motociclismo, cosplay e jornalismo cultural.

Na coluna, escrevi: “O comprometimento em manter viva a memória de um herói televisivo mostra como símbolos da cultura pop japonesa ainda permanecem no imaginário coletivo.” E era exatamente isso que Cláudio representava: resistência cultural, nostalgia viva e a prova de que heróis podem renascer fora das telas.

Hoje, ao lembrar da despedida de Hikaru Kurosaki e da luta com Cláudio Rodrigues, percebo que heróis não morrem: eles permanecem vivos na memória coletiva, nos cosplays e nas histórias que contamos. Como jornalista e pilota de motos esportivas, viver essa experiência foi um privilégio — prova de que o jornalismo também pode ser aventura, seja na cultura, na nostalgia ou no motociclismo.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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