Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

Home Tecnologia O que é o Discord? Entenda como funciona a plataforma que teve lives suspensas no Brasil

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Na última quarta-feira (12), a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em todo o País. A empresa tem três dias úteis para interromper o recurso e comprovar a adoção de medidas consideradas eficazes para proteger crianças e adolescentes. A decisão não significa o bloqueio completo do aplicativo: mensagens de texto e chats de voz, por exemplo, continuam disponíveis.

A medida ocorre após a morte de uma adolescente de 13 anos em um servidor privado do Discord. O caso, investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, envolveu uma transmissão ao vivo e levou a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, a defender publicamente o bloqueio da plataforma no Brasil. Mas, afinal, o que é o Discord, como ele funciona e por que ele foi banido?

O que é

O Discord é uma plataforma de comunicação que permite conversas por texto, voz e vídeo, além de transmissões ao vivo e compartilhamento de tela. Criado em 2015 como uma ferramenta voltada principalmente para jogadores de videogame, o aplicativo se transformou em uma rede social utilizada por comunidades de diferentes interesses. No Brasil, a plataforma passou a ser alvo de críticas e de medidas do governo após casos envolvendo adolescentes e denúncias de falhas na proteção de menores.

Dentro do aplicativo, os usuários podem criar ou participar de comunidades chamadas de servidores, que funcionam como espaços virtuais organizados em diferentes canais.

Esses canais podem ser públicos ou privados e permitem o envio de mensagens, imagens e vídeos, além de chamadas de voz, transmissões ao vivo e compartilhamento de tela. O acesso a servidores privados pode depender de convite ou autorização dos administradores.

Durante a pandemia de covid-19, o uso do serviço cresceu e se ampliou além do público gamer. O Discord passou a ser utilizado também por grupos de estudo, comunidades de fãs, criadores de conteúdo e pessoas que procuram socialização na internet.

A estrutura baseada em servidores é um dos principais elementos que diferenciam o Discord de redes sociais tradicionais. Ao mesmo tempo, especialistas e autoridades apontam que comunidades fechadas podem dificultar a identificação de conteúdos e comportamentos considerados abusivos ou ilegais.

Dados citados pelo site Business of Apps apontam cerca de 560 milhões de contas registradas globalmente e aproximadamente 220 milhões de usuários ativos mensais. No Brasil, seriam cerca de 56,4 milhões de contas registradas.

A própria plataforma estabelece idade mínima de 13 anos, embora autoridades brasileiras tenham colocado em discussão a eficiência dos mecanismos usados para verificar a idade dos usuários.

Críticas

A plataforma passou a ser questionada por autoridades brasileiras devido a casos de violência, assédio, chantagem, automutilação e aliciamento envolvendo crianças e adolescentes.

Um dos episódios que evidenciaram a atual crise ocorreu com a morte de uma adolescente de 13 anos. Segundo as investigações, a jovem estava em um servidor privado no qual integrantes teriam incentivado a automutilação. O episódio foi transmitido ao vivo e passou a ser investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

A investigação deu origem à Operação Lívia, que teve apoio do Ministério da Justiça e cumpriu sete mandados em cinco estados. Segundo a polícia, suspeitos recrutavam jovens em situação de vulnerabilidade emocional e os levavam para grupos fechados. Depois de estabelecer uma relação de confiança, os integrantes seriam submetidos a coação, isolamento, humilhações e desafios de violência crescente.

Os equipamentos apreendidos durante a operação serão analisados para identificar outras possíveis vítimas e integrantes do grupo. A polícia afirma que a análise de evidências digitais já levou à identificação de uma segunda vítima em outro estado.

Dados da SaferNet Brasil também apontam aumento das denúncias relacionadas ao Discord. Nos sete primeiros meses deste ano, foram registradas 406 notificações envolvendo a plataforma, contra 264 no mesmo período do ano passado — alta de 54%. (Com informações do jornal O Globo)

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