Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2022

Home Economia O que esperar para o dólar em 2022? Especialistas respondem

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O dólar acumulou alta de 7,46% no ano passado, fechando em R$ 5,57, e as projeções no mercado para 2022 são de muita volatilidade e de uma nova rodada de depreciação do real. Os analistas financeiros listam ao menos cinco fatores que devem pesar contra a moeda brasileira ao longo do ano: fraqueza da economia, com possível retração do Produto Interno Bruto (PIB), inflação ainda elevada, ruídos provocados pelas eleições, o processo de alta de juros nos Estados Unidos e as incertezas sobre a evolução da pandemia. Em meio a isso, trabalham com uma faixa de oscilação bem ampla, que vai de R$ 5,20 a R$ 6,20.

O economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, afirma que a demanda por dólar não deve ter tanto refresco em 2022, dadas as condições econômicas no mundo, de crescimento não tão elevado e inflação alta. E, no Brasil, a demanda para proteção tende a persistir, por causa do nível de juros e da inflação, além da incerteza econômica, fiscal e eleitoral.

“A tendência da dívida pública é aumentar um pouco em 2022, por isso é difícil arrefecimento do dólar até pelo menos as eleições, em outubro”, diz.

Ele calcula que o preço médio do dólar deve ficar em R$ 5,50, acima da média de 2021, de R$ 5,38 (1º de janeiro a 15 de dezembro), que é superior à media de 2020, a R$ 5,15.

“É difícil pensar em grande queda da inflação só pelo efeito da atividade fraca, porque o câmbio está tendo um mini-choque, que tem a ver com fluxo negativo e a imprevisibilidade da política econômica e das eleições”, afirma Velho.

A economista-chefe da Armor Capital, Andrea Damico, estima queda de 0,02% do PIB brasileiro em 2022. Em contraposição, o PIB global deve avançar cerca de 4,5% no ano, avalia. “Esse diferencial é bem relevante do ponto de vista do câmbio. Quem entrega crescimento tende a ter uma apreciação de sua moeda, porque vai fomentar a entrada de recursos. Só que o Brasil vai estar numa recessão”, diz Damico, que projeta dólar em R$ 5,75 no fim de 2022 e com viés de alta.

Na mesma linha, o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, ressalta que a percepção sobre a capacidade de crescimento da economia brasileira é cada vez menor. E isso está ligado não apenas ao atual ciclo de alta de juros, que deve se estender pelo primeiro trimestre de 2022, mas também a questões estruturais, como a política fiscal. “O quadro de crescimento do Brasil em relação ao resto do mundo voltou a ser negativo. Isso é um fator importante para a taxa de câmbio”, afirma.

Desconfiança

Além de não crescer, o Brasil não inspira confiança do ponto de vista fiscal, avalia Lima. Apesar da redução da relação dívida líquida/PIB no ano que acabou, ele afirma que a percepção é de deterioração da gestão das contas públicas — ainda mais diante das incertezas provocadas pelas eleições presidenciais.

Para Damico, da Armor, os dois líderes nas intenções de voto — o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — são populistas, “de direita e da esquerda”, e não parecem “tão preocupados” com a manutenção de regras fiscais que garantam o equilíbrio das contas públicas.

“Ninguém sabe qual vai ser a política econômica do próximo governo. Essa indefinição tende a desestimular o fluxo de capitais”, afirma Damico, acrescentando que as chances de vitória de um candidato da chamada terceira via, em tese mais palatável ao mercado, são hoje bem reduzidas.

O estrategista Jefferson Laatus, do grupo Laatus, calcula que a movimentação política e pesquisas eleitorais devem começar a mexer mais com o dólar quando forem definidas as candidaturas e delineados os programas econômicos dos candidatos à Presidência, por volta de abril.

“Deve ser como em 2014”, afirma o estrategista, lembrando que o dólar começou aquele ano entre R$ 2,30 e R$ 2,40 e terminou perto de R$ 4,20 e R$4,30, refletindo o estresse eleitoral e a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

“O Banco Central despejou dólar via contratos de swap cambial (com efeito de venda no mercado futuro) à época para conter a volatilidade e, até hoje, ainda realiza leilões de rolagem de swaps negociados em 2014”, recorda.

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