Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Home Política Operação policial contra o ex-líder do governo no Senado impulsiona o tema corrupção nas redes sociais

Compartilhe esta notícia:

A nova fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), que teve como alvo o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), tirou o bolsonarismo da lona, ajudou a empurrar a esquerda para as cordas, e de quebra turbinou a temática da corrupção para o centro do debate eleitoral.

Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX) analisou 317 milhões de interações em 430 mil publicações nas redes sociais na última semana e registrou que o tema corrupção saltou de menos de 49 posts um dia antes para 1.009 na quinta-feira passada, data da operação, um aumento de 20 vezes. Os dados foram obtidos entre 15 e 21 de junho.

Diferentemente das semanas anteriores, em que a esquerda chegou a assumir a dianteira do debate digital num momento de baixa na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, a direita manteve liderança ao longo dos sete dias analisados.

Além disso, dominou os três eixos de maior relevância do período: política nacional (56%), política externa (59%) e corrupção (66%). A combinação entre segurança pública, críticas ao governo e repercussões do G7 consolidou sua capacidade de mobilização nas redes.

A virada da maré tirou do governo Lula a capacidade de pautar o debate por meio de temas favoráveis à sua agenda, analisaram os pesquisadores. Os petistas surfavam uma onda favorável havia dois meses, desde quando o site Intercept Brasil revelou que Flávio pediu 24 milhões de dólares ao banqueiro Daniel Vorcaro, protagonista da maior fraude financeira da história do Brasil, para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio perdeu pontos nas pesquisas de intenção de voto na sequência, e viu uma oportunidade para se levantar com uma viagem aos Estados Unidos para uma agenda com o presidente Donald Trump. A Casa Branca anunciou dias depois que passaria a classificar facções brasileiras como organizações narcoterroristas, tema em que a direita navega melhor – e a esquerda tem dificuldade de rebater.

A recuperação breve do senador foi interrompida pelo anúncio seguinte vindo de Washington: o governo americano imporia novas tarifas ao Brasil, episódio que foi associado discursivamente à articulação feita pelos irmãos Eduardo e Flávio Bolsonaro junto a Trump. Na ocasião, Lula empunhou de novo a bandeira da defesa da soberania nacional e saiu vitorioso do debate digital.

No mesmo dia da operação contra Wagner, a pré-campanha de Flávio já planejava reerguê-lo com um tema em que a direita costuma se sobressair sobre a esquerda: segurança pública.

O senador lançou em São Paulo o plano “Brasil sem Medo”, em que apresentou algumas das propostas de seu plano de governo, como redução da maioridade penal, castração química para condenados por estupro e referências ao modelo de segurança adotado em El Salvador. A operação da PF tirou protagonismo do evento, mas o dia foi de saldo positivo mesmo assim, dizem membros de sua equipe.

Já o encontro entre Lula e Trump durante a cúpula do G7 impulsionou o eixo de política externa, responsável pelo maior volume de interações da semana (46%), segundo o DX.

“O episódio foi apropriado pelos dois campos políticos como instrumento da disputa interna: enquanto apoiadores do governo destacaram soberania nacional, protagonismo internacional e relações diplomáticas, a extrema-direita enquadrou o encontro como demonstração de isolamento político de Lula e de aproximação de Trump com o campo bolsonarista”, diz o relatório do instituto.

Os pesquisadores identificaram que a esquerda preservou sua força em pautas sociais e pesquisas eleitorais, mas ficou concentrada nos eixos temáticos de menor volume.

“A esquerda manteve vantagem apenas nos dois eixos de menor peso da semana. Em ”economia” e “pautas sociais” alcançou seu melhor desempenho (74%), sustentada por conteúdos relacionados a saúde, educação, investimentos e ações governamentais. Em “pesquisas eleitorais” foi maioria (56%), impulsionada pela repercussão de levantamentos que mostram vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro. Apesar disso, os três eixos que concentraram maior volume de publicações e engajamento permaneceram sob predominância da extrema-direita”, afirma o instituto. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Flávio Bolsonaro usa inteligência artificial para rebater crítica de Lula a Neymar: “Heróis não devem ser deixados para trás”
Polícia Federal investiga se o presidente nacional do Partido Progressistas e o ex-líder do governo Lula no Senado atuaram em prol do Banco Master no Congresso
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa News