Domingo, 12 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 11 de abril de 2026
Os países nórdicos dominam há muito tempo o Relatório Mundial da Felicidade. Mas 2026 trouxe uma surpresa.
Pela primeira vez em 14 anos de publicação, um país latino-americano chegou ao top 5. A Costa Rica manteve sua ascensão anual e pulou do 23° lugar, em 2023, para a quarta posição este ano.
O ranking é elaborado anualmente pelo Instituto Gallup, pelo Centro de Pesquisa sobre Bem-Estar da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.
Ele se baseia na avaliação média das condições de vida pelos próprios moradores de 140 países nos últimos três anos, ao lado de fatores como o PIB de cada país, serviços sociais, expectativa de vida, percepção de liberdade, generosidade e corrupção.
Pelo segundo ano consecutivo, nenhum dos principais países de fala inglesa chegou ao top 10. A Austrália veio em 15°, os Estados Unidos em 23°, o Canadá em 25° e o Reino Unido, em 29°.
Entre os latino-americanos, atrás da Costa Rica, vieram o México (12°), Belize (27°), Uruguai (31°), Brasil (32°), El Salvador (37°), Panamá (39°), Guatemala (42°), Argentina (44°), Jamaica (49°) e o Chile (50°).
Neste ano, cada um dos cinco melhores classificados apresenta aspectos específicos que contribuem para sua felicidade. Mas a liberdade de fazer escolhas de vida se destaca em todos eles.
Conversamos com moradores de cada um desses países para entender o que contribui para sua sensação de felicidade no dia a dia e a longo prazo — e como os visitantes podem sentir o gostinho da “vida feliz” de cada local durante suas viagens.
1. Finlândia
A Finlândia ocupou o primeiro lugar em nove dos últimos 10 anos.
O país tem alta avaliação para serviços sociais e baixa percepção da corrupção. E os moradores costumam mencionar sua rede de assistência social (que inclui educação e assistência médica), que cria uma sensação de segurança e bem-estar.
“Adoro o fato de que a Finlândia é um país seguro e posso confiar nas pessoas comuns por aqui”, afirma Olli Salo, um dos fundadores da empresa Skimle, com sede na capital, Helsinque.
“As crianças vão a pé para a escola a partir dos sete anos de idade, você não se sente ameaçado quando volta andando para casa e pode confiar que, se alguém fizer uma promessa, irá cumpri-la.”
Os impostos do país são altos, mas os seus moradores observam uma clara compensação.
Solo compara com pagar uma assinatura por um software premium. Pode custar mais, mas a qualidade é melhor.
“A maioria das coisas que realmente importam na vida, como saúde, educação e transporte, são serviços públicos”, explica ele. “Por que não gastar um pouco e ter tudo isso com melhor qualidade?”
Ele também observa que os locais de trabalho finlandeses são mais colaborativos do que em outras partes do mundo, com menos hierarquia e menos “teatro corporativo”.
Para o atual prefeito de Helsinque, Daniel Sazonov, a felicidade também vem da proximidade com a natureza.
“Conseguir sair de casa e, em poucos minutos, chegar ao mar, a um parque ou a uma floresta para andar à noite é algo especial”, descreve ele.
Os visitantes devem começar conhecendo a cultura da sauna finlandesa. Com cerca de três milhões de saunas para uma população de apenas 5,5 milhões de pessoas, as opções são muitas.
“Sugiro experimentar as diferentes saunas de Helsinque e talvez até um mergulho no frio mar Báltico”, recomenda Sazonov.
Já a Biblioteca Central Oodi de Helsinque, aberta em 2018, é uma construção moderna surpreendente e um popular ponto de encontro para os moradores locais e os visitantes.
2. Islândia
Ultrapassando a Dinamarca pela primeira vez desde 2014, a ilha de apenas 400 mil habitantes ocupa o primeiro lugar em serviços sociais, a ponto de fazer os moradores locais sentirem que têm alguém com quem contar em tempos de dificuldade.
A Islândia também ocupa o top 10 em PIB per capita, expectativa de vida saudável e generosidade. Por isso, ela é presença certa entre os primeiros lugares nas diversas avaliações.
“Historicamente, o nosso isolamento transformou a sobrevivência em um esforço de todos”, conta Ingibjörg Friðriksdóttir, moradora da capital Reykjavík e gerente de marketing digital do Hotel Rangá.
“Por séculos, não havia ajuda de fora. Éramos apenas nós e precisávamos permanecer juntos”, prossegue ela. “Este legado formou uma cultura na qual ajudar uns aos outros é simplesmente nossa segunda natureza.”
Os islandeses também têm forte capacidade de adaptação, decorrente da sobrevivência a severos e escuros invernos. Com informações do portal G1.