Sábado, 19 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de setembro de 2026
Um conjunto de medidas adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prevê movimentar cerca de R$ 271 bilhões na economia brasileira ao longo de 2026, ano em que o presidente busca a reeleição. O levantamento considera linhas de crédito, reforços orçamentários de programas já existentes e subsídios.
Entre as medidas estão programas de financiamento para empresas, agricultores, caminhoneiros, taxistas e compradores de imóveis, além de iniciativas nas áreas de habitação, energia, assistência social e combustíveis. O levantamento reúne 20 ações anunciadas ou implementadas pelo governo ao longo do ano.
Uma das medidas recentes é o reajuste do Bolsa Família. A partir de outubro, o valor mínimo do benefício passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a atualização será de 15,04% e terá como referência a variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026.
O levantamento da CNN estima que o reajuste terá custo adicional de R$ 5,8 bilhões aos cofres públicos em 2026. De acordo com a equipe econômica, os recursos serão obtidos por meio de remanejamento do Orçamento, principalmente de despesas previdenciárias.
Outra frente é o Gás do Povo, que oferece gratuitamente botijões de gás de cozinha a famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único. O programa tem previsão de alcançar cerca de 15,5 milhões de famílias e conta com estimativa orçamentária de R$ 5,1 bilhões para 2026.
Também fazem parte do levantamento medidas relacionadas ao crédito. O novo modelo de financiamento imobiliário tem estimativa de movimentar R$ 22,3 bilhões em 2026, segundo cálculo do BTG Pactual citado pela CNN. A faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, por sua vez, tem estimativa de gerar R$ 7,7 bilhões em recursos no ano.
O pacote inclui ainda R$ 21,2 bilhões em linhas de crédito para caminhões e ônibus, R$ 30 bilhões para aquisição de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas e R$ 10 bilhões para máquinas agrícolas. Para empresas exportadoras, o Plano Brasil Soberano 2.0 prevê R$ 15 bilhões em crédito.
Na área tributária, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais e a redução parcial do imposto para rendimentos de até R$ 7.350 têm impacto estimado em R$ 31 bilhões. Segundo o governo, a perda de arrecadação será compensada pela criação de um imposto mínimo para contribuintes de alta renda, tornando a medida neutra do ponto de vista fiscal, de acordo com a equipe econômica.
Outra parcela significativa do levantamento está relacionada aos combustíveis. As medidas adotadas desde março para reduzir os efeitos da alta dos preços provocada pelo conflito no Oriente Médio foram estimadas inicialmente em R$ 31 bilhões. O governo afirma que parte dos subsídios será compensada por receitas provenientes de royalties e outras receitas do setor de petróleo.
A relação também inclui o saque complementar do FGTS, estimado em R$ 8,4 bilhões; o Desenrola 2.0, com potencial de movimentar R$ 8,2 bilhões; a Reforma Casa Brasil, com estimativa de R$ 13,9 bilhões; e o programa Luz do Povo, calculado em R$ 4,3 bilhões para 2026.
O impacto das medidas ocorre em meio a discussões sobre as contas públicas de 2027. Relatório divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado na quinta-feira (17) estima déficit primário de R$ 86,1 bilhões no próximo ano, enquanto a proposta orçamentária do governo prevê superávit de R$ 18,6 bilhões. A IFI calcula que seria necessário congelar pelo menos R$ 35,7 bilhões em despesas para o cumprimento formal da meta.
(Com informações da CNN)