Segunda-feira, 18 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de maio de 2026
O padre Fábio de Melo abriu o coração ao falar sobre alguns dos momentos mais dolorosos de sua vida pessoal e profissional. Em entrevista ao jornal O Globo, o sacerdote refletiu sobre o impacto devastador da morte da mãe, os ataques constantes envolvendo sua sexualidade, os efeitos da fama e sua luta contra a depressão.
Em um dos momentos mais repercutidos da entrevista, ele admitiu que o sucesso chegou a despertar arrogância dentro dele. “Meus maiores arrependimentos foram quando identifiquei a arrogância que reprovo no outro repetida em mim”, confessou.
Durante o bate-papo, o sacerdote explicou que sua ascensão pública aconteceu de forma muito rápida e intensa, mudando completamente sua rotina e afetando sua vida interior.
“Sempre fui calmo, gostei da rotina. De repente, fazia 35 shows por mês pelo Brasil”, relembrou.
Segundo ele, o excesso de exposição acabou trazendo consequências emocionais profundas. “A fama é um roubo. Primeiro porque ela é uma ilusão. Rouba você daquilo que mais ama fazer. Vai retirando a espontaneidade, privando os caminhos”, refletiu.
Fábio também admitiu que, durante esse processo, percebeu em si comportamentos arrogantes que sempre criticou em outras pessoas. Com o tempo, porém, afirmou ter encontrado um equilíbrio maior entre vida pública e espiritualidade.
Morte da mãe
Um dos trechos mais emocionantes da entrevista aconteceu quando o padre falou sobre a morte de sua mãe, tema central do livro A Vida é Cruel, Ana Maria.
Ao comentar a obra, ele revelou que a partida dela provocou sentimentos contraditórios de tristeza e libertação. “É a maior tristeza do mundo, mas é também a maior libertação”, declarou.
O sacerdote explicou que o vínculo materno era tão profundo que, durante toda a vida, sentia medo constante de deixá-la sozinha. “Não é só uma materialidade que parte. É um significado que se rompe”, disse.
A mãe de Fábio morreu durante a pandemia, sem despedidas presenciais, algo que ele descreveu como uma das experiências mais cruéis que já viveu.
Síndrome do pânico
O religioso também falou abertamente sobre saúde mental e revelou que enfrentou um período extremamente delicado após ser diagnosticado com depressão e síndrome do pânico.
Segundo ele, a situação piorou drasticamente em 2017, pouco tempo depois do suicídio de uma de suas irmãs. “Vivi um combo difícil de ser administrado: depressão e síndrome do pânico”, contou.
Fábio revelou ainda que diversos integrantes de sua família enfrentaram episódios depressivos ao longo da vida e que vários irmãos atentaram contra a própria vida. “Nunca tentei. Mas, em muitos momentos, fiquei planejando”, confessou.
Apesar da gravidade do quadro, ele afirmou que aprendeu a entender que a luta contra o sofrimento emocional precisava partir também dele próprio. “Preciso encontrar recursos para sobreviver a mim mesmo”, declarou.
Sexualidade
Outro tema abordado na entrevista foram os comentários e especulações sobre sua sexualidade, assunto frequentemente levantado nas redes sociais.
Fábio afirmou que aprendeu a conviver com esse tipo de julgamento e criticou o ambiente de hostilidade criado na internet. “Estamos transformando a vida num campo de batalha, isso nos adoece”, afirmou.
O sacerdote explicou que entende a curiosidade pública em torno da vida íntima de padres, mas ressaltou que não pretende viver em função da opinião alheia. “Se ando com você, vão dizer que estou tendo um caso. Vou ser sempre vítima disso”, comentou.
Em outro momento, ele refletiu sobre o conceito de sexualidade dentro do sacerdócio e afirmou que ela vai muito além da vida genital. “Pode não ter a vida genital, mas a sexualidade envolve todos os nossos afetos”, explicou.
Segundo ele, a comunicação humana também nasce da sedução, da troca afetiva e da maneira como as pessoas se relacionam umas com as outras. (Com informações de O Estado de S. Paulo)