Domingo, 23 de Agosto de 2026

Home Economia Para baixar o preço do hambúrguer nos Estados Unidos, Trump zera tarifa da carne moída e abre chance ao Brasil para exportar US$ 500 milhões

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O presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira (21), que os Estados Unidos permitirão a importação, isenta de tarifas, de até 300 mil toneladas de carne moída nos próximos 90 dias, em uma tentativa de reduzir os preços para os consumidores. O republicano não especificou de quais países virão as importações, mas indicou que a carne será vendida com um desconto de 25% sobre os preços de mercado.

O poder de compra é uma das principais preocupações dos americanos às vésperas das eleições de meio de mandato de novembro.

“Enquanto trabalhamos para reconstruir nosso rebanho e ajudar nossos pecuaristas, nos próximos 90 dias os Estados Unidos permitirão a importação de até 300 mil toneladas de produto para carne moída sem tarifa e fora de cota”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

No país dos hambúrgueres, a carne bovina é um dos produtos cujos preços mais atormentam os consumidores. Em maio, era preciso pagar 15% a mais do que no ano anterior para comprar um bife, segundo os dados oficiais de inflação.

“Este acordo reduzirá os preços para os americanos”, comemorou Trump.

Carne brasileiros

A decisão de Trump, que vem sendo especulada há três meses, chega em boa hora para os frigoríficos brasileiros. Sem poder vender para a China por causa do esgotamento da cota, os exportadores ganham um mercado bastante rentável.

Neste ano, os EUA figuram como o segundo maior comprador de carne bovina do Brasil, com 12% do total embarcado, ficando atrás apenas da China, que responde por 44%. Usualmente, os brasileiros exportam carne de dianteiro ao mercado americano, justamente o tipo de produto usado na fabricação de carne moída e hambúrguer.

De janeiro a julho, os frigoríficos brasileiros exportaram 233 mil toneladas aos Estados Unidos, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) compilados pelo Ministério da Agricultura. A receita obtida nas exportações aos americanos foi de US$ 1,5 bilhão.

Considerando os dados da Secex, o preço médio de exportação aos EUA ficou em US$ 6,6 mil por tonelada, no acumulado do ano. Nesse patamar, as 300 mil toneladas que serão importadas pelos EUA valem US$ 1,9 bilhão. Como a medida isenta a tarifa extracota de 26,5%, o benefício potencial para os frigoríficos é da ordem de US$ 500 milhões.

“Entre os frigoríficos, o mais beneficiado deve ser a Minerva”, escreveu o analista Leonardo Alencar, da XP Investimentos, em mensagem enviada aos clientes. Na bolsa, os papéis da Minerva subiam 3% por volta das 11h15.

Entre os maiores exportadores de carne bovina do Brasil, a Minerva é a companhia relativamente mais exposta ao País, com 55% da receita oriunda das vendas de carne bovina produzidas em terras brasileiras.

Além disso, a Minerva também pode aumentar as exportações de carne bovina para os Estados Unidos a partir de suas operações no Uruguai e Argentina.

Nos casos de JBS e MBRF, a decisão de Trump deve ter efeitos mistos, com repercussão positiva na operação brasileira e potencialmente negativa nos negócios de ambas nos Estados Unidos. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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