Sábado, 21 de Maio de 2022

Home em foco Partido Socialista, do primeiro-ministro António Costa, vence a eleição em Portugal

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O Partido Socialista (PS), do primeiro-ministro António Costa, teve uma vitória contundente nas eleições gerais deste domingo (30) em Portugal, obtendo quase 42% dos votos, mais do que o previsto nas pesquisas pré-eleitorais. O PS, que comanda o governo desde 2015, alcançou agora a maioria absoluta dos deputados na Assembleia da República, com ao menos 117 das 230 cadeiras legislativas.

O Partido Social Democrata (PSD), de centro-direita e principal sigla da oposição, ficou com pouco menos de 28% dos votos e ao menos 71 cadeiras. As eleições também foram marcadas pelo avanço do partido de extrema direita Chega, que teve a terceira maior votação, com 7% dos votos, e pelo recuo das siglas à esquerda do PS, como o Bloco de Esquerda (BE) e e o Partido Comunista Português (PCP).

As eleições, antes previstas para 2023, foram antecipadas após o governo de Costa fracassar na aprovação do Orçamento de 2022, em outubro do ano passado.

“Esta noite é muito especial para mim. Depois de seis anos de exercício de funções como primeiro-ministro, depois dos últimos dois anos num combate sem precedentes contra uma pandemia, é com muita emoção que assumo esta responsabilidade que os portugueses me confiaram — disse António Costa. “Foi uma vitória da humildade, da confiança e pela estabilidade.”

O premier comemorou a maioria absoluta para o PS: “Uma maioria absoluta não é o poder absoluto. Não é governar sozinho. É uma responsabilidade acrescida”.

Em setembro, antes da convocação das eleições, o PS sofreu uma dura derrota ao perder o comando da prefeitura de Lisboa depois de um domínio de 14 anos, um resultado considerado “frustrante” por Costa. Na semana passada, na reta final de campanha, pesquisas chegaram a apontar o PSD à frente, mas a tendência não se confirmou.

“Apesar de um certo desencanto com o Partido Socialista, a maioria dos eleitores considera que Costa tem mais competência e experiência para governar que Rui Rio, um economista de 64 anos elogiado por sua sinceridade e autenticidade”, afirmou a cientista política Marina Costa Lobo, referindo-se ao líder do PSD.

Racha na esquerda

Com seus 7,15% dos votos, o Chega, liderado pelo deputado André Ventura, tirou votos da direita tradicional e passará de um para ao menos 12 deputados na Assembleia da República. Como seus homólogos no resto da Europa, o partido da direita radical se apoia em um discurso contra imigrantes, incluindo os brasileiros, além de defender a extinção dos serviços públicos de saúde.

“Que grande, grande noite. O Chega prometeu e cumpriu. Somos a terceira força política em Portugal”, disse Ventura. “António Costa, eu vou atrás de ti agora”, acrescentou, prometendo uma “verdadeira oposição” ao PS.

O quarto lugar na votação também surpreendeu pelo desempenho da Iniciativa Liberal. A sigla que defende o liberalismo econômico clássico teve quase 5% dos votos, superando o Bloco de Esquerda e o PCP, que tiveram ambos em torno de 4,5% dos votos.

Entre 2015 e 2019, o BE e o PCP participaram de uma coalizão de governo informal liderada por Costa, conhecida como Geringonça. Na época, começaram a ser revertidas parte das medidas de arrocho econômico implementadas pelo governo anterior da centro-direita depois da crise financeira de 2008.

Costa desfez a Geringonça depois que o PS venceu as eleições de 2019, e, mesmo sem obter na época a maioria parlamentar, apostou que negociaria seus projetos caso a caso. A estratégia chegou ao limite quando BE e PCP votaram com a direita contra a proposta de Orçamento para 2022, considerando-a pouco ambiciosa em termos sociais. A derrota do projeto levou à dissolução do Parlamento e à convocação do pleito de ontem.

Em entrevista ao Diário de Notícias, o líder parlamentar do BE, Filipe Soares, culpou os socialistas pelo resultado ruim do seu partido.

“A estratégia de chantagem do Partido Socialista parece ter dado resultado, com ajuda de uma bipolarização forçada, criada ao longo das últimas semanas”, disse o dirigente do Bloco de Esquerda.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, disse que os resultados decepcionantes do BE e da aliança entre os comunistas e os Verdes, a Coligação Democrática Unitária (CDU), refletiram “uma significativa perda de deputados”.

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