Sexta-feira, 17 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de julho de 2026
O ex-deputado federal Julian Lemos (PP), que coordenou a campanha de Jair Bolsonaro (PL) no Nordeste em 2018, disse que o patrimônio do sucessor político do ex-presidente na corrida ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL), hoje chega a R$ 600 milhões. Em entrevista ao programa “Ô Paraíba Boa”, exibido ao vivo no YouTube, o político acrescentou que Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do presidenciável e radicado nos Estados Unidos, soma ao menos R$ 150 milhões.
Lemos detalhou a convivência e a fortuna dos Bolsonaros sem apresentar provas, mas garantiu ter informações de dentro do clã pelos anos em que foram aliados. À Justiça Eleitoral, Flávio e Eduardo declararam ter cerca de R$ 1,7 milhões em bens, respectivamente, em 2018 e 2022, quando concorreram pela última vez em eleições.
Em 2024, o senador quitou a compra de uma mansão de R$ 5,97 milhões 27 anos antes do previsto. Além disso, uma casa no Texas de US$ 726 mil, ou quase R$ 4 milhões, foi adquirida em fevereiro passado pelo Mercury Legacy Trust, fundo administrado por Paulo Calixto, advogado de imigração de Eduardo. O fato de a compra ter sido feita por um fundo administrado pelo mesmo advogado que recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, numa triangulação até hoje mal explicada, levantou suspeitas de que o imóvel fosse destinado ao próprio Eduardo. O policial militar André Porciúncula disse ser ele, o dono da casa.
Eleito na onda bolsonarista de 2018 para a Câmara dos Deputados, pela Paraíba, o político rompeu com o bolsonarismo depois de, segundo ele e os entrevistados, se recusar a “trair” Antonio Rueda e Luciano Bivar, que comandavam o PSL na época em Jair Bolsonaro concorreu à Presidência pelo partido, posteriormente fundido ao DEM numa nova legenda, o União Brasil.
Com isso, Lemos teria virado um “inimigo” do bolsonarismo e alvo de críticas dos filhos do ex-presidente, como Carlos Bolsonaro (PL). Durante a participação no podcast, nesta segunda-feira, Lemos afirmou acreditar que Flávio vai desistir da corrida eleitoral. E, caso não desista, vai perder para Lula e fugir do Brasil. Segundo o ex-deputado, a família se recusa a passar o espólio para o pleito.
“Bolsonaro prefere que Lula vença a passar o espólio dele para um [Ronaldo] Caiado, para um [Romeu] Zema e para Michelle [Bolsonaro]. O caso de Michelle é ainda pior, porque Michelle, caso fosse eleita, nenhum dos filhos faria o que fizeram no governo do pai. O Flávio operou, meu irmão, ali dentro 24 horas por dia. Flávio é um homem milionário. Eu tô optando aqui, Flávio, perto dos R$ 600, 700 milhões de reais. E o Eduardo no mínimo com 150 [milhões de reais] nos Estados Unidos”, disse.
Aos entrevistados do podcast, Lemos perguntou se já havia “errado” alguma vez em suas declarações no programa. Recebeu como resposta que já colocava em dúvida a pré-campanha de Flávio mesmo antes de vir a público a relação do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no Caso Master.
“Desde duas e meia da manhã estou acordado. Só estudando, até agora, psicologia social, estrutura do bolsonarismo em si. Já não era preocupação, mas é mais uma questão de defesa. A gente chama na psicologia de ‘revolta do injustiçado’”, afirmou ele, que explicou tentar reconstruir sua história para não ficar com a pecha atribuída a ele, de “traidor”.
O ex-aliado ainda contou que, desde a ascensão do bolsonarismo, os filhos de Jair Bolsonaro trazem ao pai “um sofrimento psicológico” muito grande.
“Eu vi isso em Carlos. Eu fui testemunha de verdadeiras guerras entre Jair Bolsonaro e Eduardo. Ele faz o que ele quer, ele não tem controle. Hoje ele é um peso morto na campanha do Flávio. Eduardo é um problema constante”, afirmou.
Na entrevista, Lemos ainda negou ser petista ou lulista, embora tenha votado em Lula na campanha presidencial passada e tenha um post fixado no Instagram abraçado ao atual presidente.
“Há uma diferença muito grande. Eu voto em Lula. Eu não sou lulista. Lulista não vê defeito em Lula. E petista tem que ser do PT ou votar em alguém do PT. Nunca fui petista, nunca fui lulista. A minha a minha visão de mundo é votar no Lula no momento. É o ideal? Não. Com certeza o Brasil teve e tem a capacidade de produzir outras lideranças. Mas hoje eu tenho 1001 motivos aqui para optar por Lula e não optar pelo outro lado, que eu conheço”, destacou. (Com informações do jornal O Globo)