Sábado, 18 de Julho de 2026

Home Rio Grande do Sul Pelo segundo mês seguido, inadimplência das pessoas físicas tem leve queda no Rio Grande do Sul

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O nível de inadimplência de pessoas físicas apresentou em junho a segunda queda seguida no Rio Grande do Sul. Conforme levantamento agora divulgado pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), o índice de adultos com restrições em crédito, cheque ou protesto passou de 37,2% a 37%. Trata-se de um recuo leve e semelhante ao verificado em Porto Alegre, que baixou de 37,8% a 37,5%.

‘É o segundo mês consecutivo de redução em ambos os recortes, movimento que não era observado desde 2024″, ressalta a entidade. “Apesar da melhora, os indicadores permanecem em patamares historicamente elevados.”

Tanto no Rio Grande do Sul quanto em Porto Alegre, as taxas representam os terceiros maiores níveis da série iniciada em 2022, evidenciando que o endividamento das famílias permanece um dos principais desafios para a economia.

A pesquisa indica, aindam que a recente redução está associada sobtetudo a efeitos dos programas do governo federal para renegociação de dívidas, como o “Novo Desenrola Brasil.” No entanto, a CDL de Porto Alegre avalia que os resultados têm caráter conjuntural e ainda não representam uma mudança estrutural no cenário da inadimplência.

Economista-chefe da entidade, Oscar Frank destaca que a melhora observada nos últimos meses é positiva, mas deve ser interpretada com cautela:

“A renegociação de dívidas produz um alívio importante para muitas famílias, mas não resolve as causas estruturais da inadimplência. O orçamento das pessoas continua pressionado pela inflação, pelo elevado custo do crédito e pela perda do poder de compra. Além disso, fatores como a falta de educação financeira e o crescimento das apostas esportivas contribuem para deteriorar a capacidade de pagamento da população”.

Empresas: queda maior

Já no segmento de pessoas jurídicas, a melhora foi mais expressiva. No Rio Grande do Sul, o índice de empresas com restrições por pendências financeiras caiu de 17,3% para 16,2%, ao passo que em Porto Alegre o recuo foi de 17,4% para 16%. Trata-se da terceira queda consecutiva e da maior redução mensal desde o início da série histórica, em junho de 2022.

De acordo com a Assessoria Econômica da CDL Porto Alegre, esse desempenho reflete, dentre outros fatores, a flexibilização das condições de linhas de crédito voltadas a micro e pequenas empresas, como Pronampe e Procred, além do início do ciclo de redução da taxa básica de juros.

“Ainda assim, o Rio Grande do Sul permanece como o Estado com o maior índice de inadimplência empresarial do País, com percentual significativamente superior à média nacional, de 11,5%”, complementa.

Oscar Frank alerta que ainda é cedo para se falar em reversão consistente da inadimplência, pois o cenário macroeconômico recomenda prudência para os próximos meses:

“Embora o mercado espere novas reduções da Selic, esse ciclo deve ser bastante curto. Ao mesmo tempo, a desaceleração da economia, as incertezas internacionais e os reflexos do conflito no Oriente Médio sobre a inflação ainda impõem desafios a consumidores e empresas.”

(Marcello Campos)

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