Domingo, 01 de Fevereiro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de janeiro de 2026
Ainda é comum que muitas mulheres associem a menopausa a um tema restrito à faixa dos 50 anos, período em que costumam surgir sintomas mais conhecidos, como ondas de calor e mudanças no ciclo menstrual. O que nem todas sabem, porém, é que a transição menopausal pode ter início bem antes dessa fase da vida.
Esse período que marca oscilações hormonais tem nome: perimenopausa. Os sintomas podem começar no final dos 30 anos, ou em alguns casos, antes mesmo do ciclo menstrual se tornar irregular. Segundo o ginecologista Dr. Igor Padovesi, especialista em menopausa pela North American Menopause Society (NAMS), sintomas que comumente surgem nessa fase são alterações cognitivas, como lapsos de memória e dificuldade de concentração, o que é conhecido como “brain fog” ou nevoeiro mental.
“Muitas mulheres relatam que se sentem mais distraídas, com menor capacidade de raciocínio e concentração, chegando a descrever a sensação de que ficaram ‘menos inteligentes’. Esses sintomas são comuns na perimenopausa, mas raramente são reconhecidos”, pontua o médico.
Outros sinais iniciais incluem alterações do sono, maior ansiedade e irritabilidade, diminuição da libido e a sensação de que “não são mais como antes”. Sentir fadiga extrema, acordar cansada e se sentir exausta ao realizar a mesma rotina que antes não gerava esse impacto podem ser sinais da perimenopausa.
É o que aconteceu com a nutricionista Talita Sartori, de 39 anos, antes mesmo de completar 35. Ela só entendeu que seus sintomas eram sinal de menopausa quando foi diagnosticada com a menopausa precoce, ao fazer exames para detectar uma possível endometriose, que também foi confirmada.
“Descobri que meus episódios de insônia estavam associados à menopausa precoce, eu já tinha fogachos, que só melhoraram depois da reposição hormonal, mas ainda acontecem”, diz Talita. “Minha menstruação era muito irregular e com pouco fluxo, e eu jamais imaginava que seria por causa da menopausa porque eu era muito jovem”, acrescenta.
Padovesi explicar que do ponto de vista hormonal, essa fase da perimenopausa é marcada por grandes oscilações, e não por uma queda progressiva e linear dos hormônios, como muitas imaginam. Para ele, um dos grandes desafios do diagnóstico da perimenopausa é justamente o fato de não existir um exame específico capaz de confirmá-la.
O desconhecimento sobre essa fase faz com que muitas mulheres se surpreendam ao perceber que já estão na perimenopausa, especialmente aquelas com rotinas intensas.
“Sobrecarga de trabalho, cuidados com filhos, responsabilidades familiares e profissionais acabam mascarando os sintomas e dificultando a percepção de que essas mudanças têm origem hormonal. Reconhecer essa fase precocemente permite tratar os sintomas de maneira adequada e preservar a qualidade de vida em um período que muitas mulheres ainda atravessam sem diagnóstico”, ressalta o médico.
Tratamento
Com relação ao tratamento da perimenopausa, o Dr. Igor Padovesi explica que consiste basicamente na terapia hormonal, a mesma utilizada para a menopausa em si.
“Esse é o tratamento padrão, tanto da perimenopausa quanto da menopausa. Medidas como atividade física, melhora do sono e redução do estresse são importantes como coadjuvantes, mas não substituem a terapia hormonal.”
A introdução dos hormônios no dia a dia de Talita foram cruciais para a melhora na qualidade de vida, somados à prática constante de exercícios físicos: ela pratica musculação cinco vezes na semana, e faz exercícios aeróbicos todos os dias.
“Entramos com uma reposição de hormônios, com estrógeno e progesterona, que tomo até hoje. Nunca tomei hormônios masculinos como testosterona, porque não é algo recomendado para mulheres em menopausa, então minha médica foi muito consciente” afirma a nutricionista. (Com informações do jornal O Globo)