Sábado, 20 de Junho de 2026

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Pesquisa eleitoral é o retrato do momento. Essa frase é repetida até enjoar a cada eleição. No Brasil, os momentos mudam rapidamente e, muitas vezes, a população não entende por que o candidato que estava acima nas pesquisas não termina eleito – ou vice-versa. A operação da Polícia Federal (PF), tendo como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), pode ser um desses ventos que viram birutas eleitorais. Os bolsonaristas torcem por isso.

Ao apurar o envolvimento do líder do governo, ex-ministro de Dilma e de Lula e amigo pessoal de décadas do atual presidente da República com os esquemas de Daniel Vorcaro na Bahia, a PF dá a Flávio Bolsonaro, principal presidenciável da oposição, a oportunidade de tentar sair das cordas e mudar a narrativa.

Com a viabilidade da candidatura presidencial questionada no próprio grupo político, desde que vazou o áudio em que pede dinheiro a Vorcaro, o envolvimento de um aliado de Lula no caso Master agora é tudo o que Flávio queria.

Calhou de a operação ser em um dia de agenda positiva do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto o líder petista era alvo da operação da PF, Flávio anunciava seu plano de governo para a área de segurança pública.

Interlocutores do Planalto avaliam que o caso envolvendo alguém tão próximo de Lula transfere ao menos parte do desgaste do escândalo do Master para o colo do presidente. Agora “A bola mudou de campo”, disse um dos governistas. Mas eles acreditam que o potencial de desgaste é diferente, já que não pesa nada contra Lula pessoalmente, diferentemente de Flávio.

Comparação

Um interlocutor lembra: quando o alvo da busca e apreensão foi o senador Ciro Nogueira (PP-PI), mesmo ele sendo presidente nacional do PP, isso não respingou na legenda, o que é diferente do PT, onde qualquer caso envolvendo um petista “cola em Lula e no partido”.

Calma

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) negou um pedido da Polícia Federal para fazer buscas nos gabinetes de Jaques Wagner no Senado. O magistrado havia decidido na mesma direção em maio, quando vetou buscas no gabinete do senador Ciro Nogueira.

Motivo

“Os elementos até aqui reunidos não evidenciam, com o grau de probabilidade necessário a justificar a invasividade da medida, que o gabinete parlamentar abrigue documentação, mídias ou registros com aptidão para repercutir de modo relevante no desenvolvimento da atividade probatória”, escreveu Mendonça.

Em família

A PF aponta que o enteado de Wagner e secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré Martins, cobrou dinheiro do empresário Augusto Lima para pagar um imóvel de luxo ao senador.

Respostas

Wagner alegou ter pedido para Lima comprar o apartamento para ele recomprar depois para presentear a filha. Integrantes da oposição e até governistas avaliaram que o petista se atrapalhou mais na entrevista. Augusto Lima considerou as diligências desnecessárias por estar “à disposição das autoridades”. Sodré não respondeu. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)

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