Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home em foco Pesquisadores projetam aumento dos gastos públicos no Brasil para câncer de intestino

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Em 2030, a despesa do Sistema Único de Saúde (SUS) com os pacientes diagnosticados com câncer de intestino (também chamado de colorretal), que desenvolveram a doença devido à exposição a fatores de risco evitáveis, será 88% maior do que o valor gasto em 2018. A estimativa é de um estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro.

Há três anos, o SUS desembolsou aproximadamente R$ 545 milhões com procedimentos hospitalares e ambulatoriais para atender pacientes com câncer colorretal, com 30 anos ou mais. Para 2030, o Inca projeta que esse gasto poderá chegar a R$ 1 bilhão.

Pesquisadores do Inca identificaram que os fatores de risco relacionados à alimentação, nutrição e falta de atividade física foram responsáveis por cerca de R$ 160 milhões em despesas públicas com o câncer colorretal, em 2018.

De acordo com o estudo, os maiores gastos atribuíveis foram com baixo consumo de fibras alimentares (R$ 60 milhões), atividade física insuficiente (R$ 47 milhões), consumo de carne processada (R$ 28 milhões), de carne vermelha acima do recomendado (R$ 19 milhões), de bebidas alcoólicas (R$ 15 milhões) e excesso de peso (R$ 12 milhões).

A projeção mostra que, em 2030, essas mesmas causas poderão ser responsáveis por até R$ 395 milhões de desembolso federal somente com este tipo de câncer.

Custos indiretos

A pesquisadora Marianna Cancela, chefe da Divisão de Vigilância e Análise de Situação do Inca, destaca que além das despesas públicas destinadas ao tratamento, o câncer de intestino também afeta a economia e a sociedade.

“Temos os custos diretos do câncer, aqueles para a pessoa, o sistema de saúde e a família, e os custos indiretos que afetam a sociedade como um todo. Se as tendências observadas continuarem, aproximadamente 6 milhões de anos potenciais de vida serão perdidos por câncer colorretal no Brasil até 2030”, afirma Marianna.

Para estimar os impactos do câncer de intestino para a economia do País, os pesquisadores analisaram dados de mortalidade do DataSUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde). Com o uso de modelos, os especialistas estimaram o número de mortes pela doença e o tempo de vida perdido devido ao óbito precoce.

“Com base nos dados do IBGE, da PNAD contínua, calculamos em algumas projeções o quanto essas pessoas deixariam de receber em termos de trabalho. Fizemos as estimativas para a população brasileira como um todo, considerando valores de salário”, explicou Marianna. “Considerando os impactos do câncer colorretal para essa década, de 2021 a 2030, seriam 6 milhões de anos de vida perdidos somando todas essas mortes e o tempo que essas pessoas deixaram de viver”, completou.

De acordo com a análise, as perdas econômicas em produtividade, por óbito, chegarão a US$ 12,7 bilhões (cerca de R$ 24 bilhões à época da pesquisa), na mesma década. A estimativa foi feita usando a paridade do poder de compra, uma conversão que permite comparações entre países, que na época era de R$ 1,95.

Intestino

O câncer de intestino é associado aos tumores que atingem desde a parte do intestino grosso chamada cólon e no reto, que é a estrutura final do intestino próxima ao ânus. Por isso, ele também é chamado de câncer de cólon e reto ou colorretal.

Marianna Cancela explica que os sintomas do câncer de intestino podem ser confundidos com os de outras doenças. Os sinais mais frequentes são sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal, como diarreia e prisão de ventre, dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes e a presença de nódulos na região abdominal.

O diagnóstico pode ser realizado a partir da biópsia, que consiste na retirada de fragmentos de tecido para análise. A coleta da amostra é feita por meio de um aparelho introduzido pelo reto, chamado endoscópio.

O tratamento é eficaz e pode levar à cura, principalmente quando o diagnóstico é realizado na fase inicial e a doença ainda não se espalhou para outros órgãos. Além da cirurgia, podem ser necessárias sessões de radioterapia ou quimioterapia.

“Estratégias de prevenção primária voltadas à promoção da alimentação saudável, manutenção de peso corporal adequado, prática de atividade física regular, redução do consumo de bebidas alcoólicas e interrupção do uso do tabaco têm grande potencial de reduzir os gastos associados com o câncer colorretal no Brasil”, ressaltou Liz Almeida, chefe da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca.

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