Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026

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Para conter o avanço do crime organizado sobre o sistema financeiro formal, a Polícia Federal (PF) firmou um acordo de cooperação com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A medida tem vigência estipulada em 60 meses (cinco anos).

A ideia é a de que as instituições financeiras atuem estrategicamente em parceria para tentar combater a ofensiva de grupos como o PCC sobre o sistema financeiro, como no caso descoberto em agosto do ano passado pela operação intitulada “Carbono Oculto”.

O acordo – selado na sede da PF em São Paulo – tem as rubricas do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o diretor-geral da PF, delegado Andrei Rodrigues, e do presidente da Febraban, Isaac Sidney. Na lista também estão o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), delegado federal Ricardo Saadi, e servidores técnicos do BNDES.

“Se o crime mudou, não podemos ficar parados no tempo e pensar em combater essas novas modalidades de delinquência com práticas que viemos adotando há 10, 15 ou 20 anos”, ressaltou Andrei Rodrigues durante a cerimônia. “Agora que temos um brasileiro à frente da Interpol, esperamos já nos primeiros meses deste ano fechar mais um acordo, a fim de trazer essa organização internacional para a nossa parceria.”

Ele se referiu ao delegado Valdecyr Urquiza, da Polícia Federal, empossado secretário-geral da polícia internacional em novembro de 2024 para um mandato de cinco anos. Trata-se do primeiro brasileiro a ocupar o cargo, mais alto na hierarquia da maior organização do gênero no mundo.

Ofensiva

Deflagrada em agosto do ano passado pela PF e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), a operação “Carbono Oculto” revelou a sofisticação da organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em expedientes voltados à lavagem de dinheiro.

O inquérito aponta que o grupo assumiu o controle de refinarias, distribuidoras, mais de 1,2 mil postos de combustíveis e até de um terminal portuário. Também adulterou produtos vendidos nas bombas ao consumidor em diversos Estados.

De acordo com o MPSP, o PCC também estaria se inserindo no mercado financeiro. A hipótese passou a ser tratada como uma certeza depois que investigações apontaram a atuação de uma fintech (empresa de serviços financeiros por meio de serviços que unem tecnologia e inovação, muitas vezes sem sede física) como espécie de “banco paralelo do crime organizado”. (com informações de O Estado de S. Paulo)

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