Domingo, 08 de Novembro de 2026

Home Brasil Possíveis temas da redação do Enem 2026: veja apostas de professores

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A inteligência artificial e seus impactos na sociedade, a proteção de crianças nas redes sociais e as consequências das mudanças climáticas estão entre os assuntos que podem aparecer na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026, marcada para este domingo (8).

As apostas são de professores de redação ouvidos pela reportagem. Entre os temas sugeridos também estão a inclusão de pessoas neurodivergentes, a preservação ambiental, as transformações no mercado de trabalho e a desinformação científica.

Embora não seja possível prever qual assunto será escolhido, os especialistas explicam que a prova costuma abordar problemas sociais brasileiros que exigem reflexão crítica, apresentação de argumentos e propostas de solução. Por isso, mais importante do que tentar adivinhar o tema é compreender os debates que envolvem cada assunto e reunir referências que possam ser utilizadas na construção do texto.

A partir das sugestões de alguns professores, confira cinco temas e eixos que podem ajudar os candidatos na reta final de preparação.

1. Inteligência artificial e os desafios do uso ético da tecnologia – A inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente na educação, no mercado de trabalho e na circulação de informações. Essa expansão, acompanhada de discussões sobre seus limites e consequências, é um dos motivos pelos quais professores consideram o assunto uma possibilidade para a redação.

Ávila Oliveira, professor de redação do Colégio Unificado, avalia que a proposta pode abordar desde o uso de ferramentas de IA na aprendizagem até a substituição de atividades profissionais pela automação. Outro caminho seria discutir os riscos associados à produção de conteúdos falsos, à manipulação de informações e ao uso indevido de dados pessoais.

O professor piauiense Rógi Almeida, que acertou o tema da redação em 2025, também inclui o uso ético da inteligência artificial entre suas apostas, destacando a necessidade de discutir responsabilidades e limites para a utilização dessas ferramentas.

Para se preparar, Ávila recomenda conhecer conceitos como inteligência artificial generativa, algoritmos, deepfakes, vieses algorítmicos, automação e desinformação.

2. Proteção de crianças e adolescentes nas redes sociais – A segurança de crianças e adolescentes no ambiente digital é outro assunto apontado por diferentes professores. Para Ademar Celedônio, diretor de ensino e inovação da Arco Educação, uma possível proposta seria “Desafios para a proteção de crianças e adolescentes nos ambientes digitais brasileiros”.

O tema ganhou relevância com a aprovação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), em 2025, e a entrada em vigor da legislação em 2026.

Segundo Celedônio, o uso crescente das tecnologias expõe crianças e adolescentes a situações como cyberbullying, publicidade direcionada, acesso a conteúdos inadequados e coleta indevida de dados pessoais.

Daniel Bravo, professor de redação do Cubo Global School, acrescenta que redes sociais e plataformas de jogos utilizam mecanismos para estimular o engajamento e a permanência dos usuários, o que pode favorecer o uso excessivo.

Uma redação sobre o assunto poderia discutir a responsabilidade das famílias, das escolas, do poder público e das empresas de tecnologia na proteção dos menores, além da importância da educação digital.

3. Mudanças climáticas, racismo ambiental e justiça socioambiental – As consequências das mudanças climáticas aparecem entre as apostas dos professores, especialmente quando relacionadas às desigualdades sociais. Enchentes, secas, queimadas e outros eventos extremos permitem discutir por que determinados grupos são mais afetados pelos desastres ambientais e quais medidas podem reduzir esses impactos.

Celedônio destaca que a degradação ambiental e os eventos climáticos extremos atingem de maneira mais intensa populações socialmente vulneráveis. “O assunto permite discutir prevenção, planejamento, justiça climática e a responsabilidade compartilhada entre governos, empresas e sociedade”, explica.

Rógi Almeida aponta dois possíveis recortes: o racismo ambiental, relacionado à distribuição desigual dos impactos ambientais sobre determinados grupos, e a justiça socioambiental, que envolve a garantia de direitos e a proteção de comunidades vulneráveis.

A professora de redação amazonense Valesca Oliveira também inclui o meio ambiente entre os principais eixos de preparação. Segundo ela, o candidato pode estudar questões como acesso à água, produção de resíduos e transição energética.

Uma proposta nessa área permitiria discutir políticas de prevenção de desastres, planejamento urbano, fiscalização de áreas de risco e adaptação das cidades às mudanças climáticas.

4. Desinformação e confiança na ciência – A disseminação de notícias falsas, especialmente sobre questões de saúde, é outra possibilidade apontada pelos professores.

Segundo Celedônio, a circulação de informações enganosas pode comprometer decisões individuais e políticas públicas, tornando a confiança nas instituições científicas um assunto relevante para a sociedade. “A pandemia mostrou a importância da ciência. O tema permite discutir comunicação científica, educação, transparência e combate à desinformação”, afirma.

Nesse caso, o candidato poderia abordar a circulação de notícias falsas sobre vacinas e tratamentos, a importância das universidades e instituições de pesquisa e a necessidade de tornar informações científicas mais acessíveis à população.

Valesca também inclui a desinformação e a confiança pública entre os possíveis recortes de redação ligados à tecnologia.

5. Transformações no mercado de trabalho e direitos dos trabalhadores – As mudanças nas relações de trabalho também aparecem entre os eixos sugeridos para a redação de 2026.

Valesca Oliveira destaca que o mercado de trabalho brasileiro oferece diferentes possibilidades de discussão, como a informalidade, a precarização das relações de emprego e as jornadas extensas. A professora também aponta os impactos dessas condições sobre a saúde dos trabalhadores.

Outro recorte possível é a automação de atividades profissionais e a influência das novas tecnologias sobre a geração de empregos. A proposta permitiria refletir sobre a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico, condições dignas de trabalho e proteção social. (Com informações do portal g1)

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