Sexta-feira, 24 de Julho de 2026

Home em foco Presidente da Argentina Javier Milei chega ao Brasil para apoiar candidatura de Flávio Bolsonaro em meio a avanço da direita no continente

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O presidente da Argentina, Javier Milei, participará da convenção do Partido Liberal, neste sábado (25), que vai confirmar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Antes, ele deve ser recebido no Palácio dos Bandeirantes para um encontro com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a condecoração com a Ordem do Ipiranga, a mais elevada honraria do estado.

Nos bastidores, a avaliação é de que a presença do argentino dialoga principalmente com um público já alinhado ao bolsonarismo e tem como objetivo conferir um verniz internacional ao campo conservador brasileiro, atualmente representado por Flávio, sem representar um fator de mobilização mais amplo.

Posição do governo

Interlocutores do governo afirmam que não há pedido de encontro de Milei com autoridades brasileiras e que, por isso, a visita não é tratada como uma agenda oficial entre os dois países.

A expectativa é apenas acompanhar eventuais manifestações do presidente argentino para avaliar se haverá necessidade de resposta diplomática, especialmente caso ele faça ataques às instituições brasileiras ou tente interferir no debate eleitoral. Com a campanha de Flávio em crise, uma eventual provocação não pode ser descartada.
Milei, aliás, queria encontrar Bolsonaro, mas foi impedido por uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que negou pedido da defesa do ex-presidente, em prisão domiciliar em Brasília, para receber o aliado.

“Onda azul”

A visita de Milei ocorre após o filho 0-1 do ex-presidente Jair Bolsonaro ir a Buenos Aires no final de junho para se reunir com o aliado. “A onda azul está chegando ao Brasil pelas mãos de Flávio Bolsonaro”, afirmou o argentino na rede social X após o encontro.

Depois da “onda rosa” do início dos anos 2000, que colocou diversos líderes de esquerda no poder na América do Sul, a região é palco do avanço da direita, o que vem sendo chamado de “onda azul” e tem em Milei um de seus mais vocais entusiastas. O presidente deve, inclusive, ser recebido com um tapete azul por Tarcíso.

Quando José Antonio Kast venceu as eleições no Chile, em dezembro do ano passado, o ultraliberal publicou em sua conta no Instagram um mapa no qual Brasil, Colômbia, Guiana, Uruguai, Suriname e Venezuela, todos governados pela esquerda, estavam preenchidos por uma imagem de favela. Em contraposição, o restante dos países, governados pela direita, era representado por um cenário futurista.

Desde então, o mapa ideológico da região mudou. Há pouco mais de um mês, a Colômbia, governada pelo primeiro presidente de esquerda da história do país, Gustavo Petro, elegeu o ultradireitista Abelardo de la Espriella. O Peru, que já era governado pela direita, votou por Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori. A Venezuela, por fim, está desde janeiro sob tutela dos Estados Unidos, embora os chavistas ainda estejam no poder após a captura de Nicolás Maduro por Washington.

Quando Milei publicou a provocação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reagiu: “Com o presidente Lula na Presidência, o Brasil se moderniza e enfrenta seus problemas sociais, não os varre para baixo do tapete”, afirmou o chanceler Mauro Vieira, citando dados em uma clara comparação com o país vizinho.

A rusga não foi a pior entre os dois governos. Em junho de 2024, por exemplo, Lula sugeriu que Milei pedisse desculpas por ofensas que ocorreram ao longo da campanha no país vizinho, ao que o argentino respondeu que havia coisas mais importantes do que “o ego inflado de algum esquerdinha”.

Tour sul-americana

Após a visita ao Brasil, Milei vai emendar outras duas viagens a aliados. No dia 28 de julho, estará no Peru para a cerimônia de posse de Keiko; em 7 de agosto, vai para Bogotá prestigiar o início do governo de Espriella.

São destinos incomuns para o ultraliberal, que até agora focou a sua diplomacia em Israel e nos EUA – para este país, foram 16 visitas ao longo de seu mandato até agora. É de interesse do argentino que a “onda azul” se mantenha pelos próximos anos, tendo em vista as eleições presidenciais no país vizinho, em outubro de 2027. (As informações são da Folha de S. Paulo e g1)

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