Sábado, 26 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 25 de setembro de 2026
Cabe aos Estados Unidos decidir se querem pôr fim à guerra no Irã, já que Teerã não deseja continuar lutando, afirmou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian à Fox News em uma entrevista exibida na quinta-feira (24). Pezeshkian assumiu uma postura desafiadora na Assembleia Geral da ONU, na quarta, afirmando ao mundo que o Irã não iria “se ajoelhar” diante de Washington – mesmo com o presidente dos EUA, Donald Trump, reconhecendo as negociações em andamento.
“Quando podemos resolver questões por meio do diálogo, não devemos recorrer a matar uns aos outros. Mas, com as instigações conduzidas por Israel, eles nos impuseram essa guerra”, disse ele. “Mas não queremos continuar. Cabe aos Estados Unidos decidir se querem encerrar isso ou não.”
Pezeshkian insistiu que o Irã está pronto para chegar a um acordo com Trump para pôr fim ao conflito. “Por que, duas semanas após a assinatura de um acordo, eles decidiram destruí-lo?”, questionou ele sobre o colapso de um frágil cessar-fogo.
“Se o atual governo americano, dentro dos marcos legais internacionais, desejar chegar a um acordo, tudo bem. Caso contrário, antes das eleições (de meio de mandato, nos EUA) ou depois delas, que diferença isso faz para nós?”
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, participou de uma reunião com o enviado de Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, à margem da Assembleia da ONU.
Estas foram as primeiras conversas diretas desde o fim de junho. A negociação foi retomada, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que Teerã comunicou suas condições para retomar a diplomacia por meio de um mediador do Qatar.
As condições incluem a aceitação da rota do estreito de Hormuz acordada entre Irã e Omã, o fim das sanções e do bloqueio naval, a liberação de ativos congelados e o encerramento da guerra em todas as frentes.
Israel colocou nesta quarta anúncios por Nova York com mensagens críticas à República Islâmica. Frases como “Irã nuclear é uma ameaça ao mundo todo” foram exibidas em totens eletrônicos pela cidade.
Enquanto a violência se intensifica entre o movimento houthi do Iêmen —amplamente considerado como apoiado pelo Irã— e a Arábia Saudita e seus aliados iemenitas, Pezeshkian insistiu que os houthis não recebem ordens do regime de Teerã.
Washington e seus aliados, incluindo a Arábia Saudita e o governo iemenita apoiado por Riad, acusam o Irã de apoiar os houthis, que estão lançando uma série de mísseis balísticos sobre o território saudita e lutando contra forças apoiadas por Riad pelo controle do Iêmen.
“Os houthis são responsáveis por suas próprias ações. Eles não recebem ordens de nós, que resistimos na região, devido às situações que lhes foram impostas”, disse Pezeshkian. “Temos contatos com eles. Não há uma relação sistemática”, acrescentou.
Estreito de Ormuz
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou, nessa sexta-feira (25), que seu país apresentou aos Estados Unidos um plano para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação marítima em um prazo de sete dias.
“O Irã transmitiu aos Estados Unidos, por meio do Catar, um plano concreto de sete dias. Se as condições necessárias forem cumpridas, o estreito poderá ser reaberto e o trânsito marítimo habitual restabelecido em sete dias”, declarou na sede da ONU em Nova York.
“A decisão agora cabe aos Estados Unidos. O Irã não admite coerção, ameaças ou intimidação. O Irã não abrirá mão de seus direitos soberanos por pressões”, enfatizou. As informações são da agência de notícias AFP.