Sábado, 26 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de setembro de 2026
A reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, provocou críticas entre venezuelanos que se manifestaram em Nova York durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O encontro ocorreu na terça-feira (22), à margem da programação da ONU, e foi o primeiro entre os dois desde a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro.
Mais de 50 manifestantes se reuniram nas proximidades da sede da ONU para protestar contra a presença de Rodríguez nos Estados Unidos. Eles carregavam bandeiras da Venezuela e cartazes com mensagens relacionadas à realização de eleições no país. Entre as frases exibidas estavam “Sem Voto, Sem Petróleo” e “Cara Nova, Mesmo Regime”.
Para parte dos manifestantes, a reunião entre Trump e Rodríguez representa uma contradição diante das expectativas de uma transição política na Venezuela. Alguns classificaram o encontro como um “tapa na cara” da democracia, em referência à aproximação entre o governo norte-americano e a administração interina venezuelana.
A reunião entre Trump e Rodríguez ocorreu durante uma recepção oferecida pelo presidente norte-americano em Nova York. O encontro foi reservado e contou também com a participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, do secretário do Tesouro, Scott Bessent, da chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e de Stephen Miller, vice-chefe de gabinete para políticas.
De acordo com Rubio, Trump e Rodríguez discutiram reformas econômicas e o processo de transição política venezuelano. O secretário afirmou que o governo norte-americano mantém conversas com autoridades interinas e integrantes da Assembleia Nacional de 2015 para estabelecer as condições necessárias para a realização de eleições.
Rodríguez, que assumiu a presidência interina após a captura de Maduro, afirmou posteriormente, em discurso na Assembleia Geral da ONU, que a Venezuela realizará eleições para escolher um novo presidente. Ela não estabeleceu uma data para a votação, mas declarou que o processo deverá conduzir o país a uma “democracia plena”.
A presidente interina também disse que o governo iniciou um diálogo com setores da oposição e que as instituições venezuelanas estarão preparadas para o processo eleitoral. Segundo Rodríguez, a transição será conduzida de maneira ordenada e verificável.
A aproximação entre Washington e Caracas ocorre após meses de negociações envolvendo questões políticas e econômicas. Entre os temas tratados estão investimentos, petróleo, dívida e a reconstrução da economia venezuelana. Trump também manifestou interesse em ampliar os investimentos norte-americanos no setor petrolífero do país.