Sábado, 26 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de setembro de 2026
China e Estados Unidos decidiram ampliar as negociações comerciais após o encontro entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizado na quinta-feira (24), em Washington. As conversas envolveram tarifas, comércio de produtos agrícolas, terras raras, inteligência artificial, semicondutores e investimentos, além de temas estratégicos que afetam a relação entre as duas maiores economias do mundo.
O encontro ocorreu na Casa Branca e marcou uma nova etapa das negociações entre os dois países, que vinham mantendo uma trégua comercial após a escalada de tarifas registrada nos últimos anos. Segundo autoridades dos dois governos, os entendimentos alcançados durante as reuniões devem permitir a continuidade das negociações e evitar, pelo menos neste momento, uma nova elevação das tarifas.
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou que os dois países concordaram em estender por dois meses a atual trégua comercial. O acordo, que venceria em novembro, permanecerá em vigor até janeiro. A extensão foi apresentada como uma forma de dar mais tempo para que Washington e Pequim avancem em um entendimento mais amplo.
Entre os principais pontos em negociação estão as tarifas aplicadas pelos dois países sobre produtos importados. Também estão em discussão as compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos, o fornecimento de minerais de terras raras e as restrições impostas pelos Estados Unidos à transferência de determinadas tecnologias para empresas chinesas.
As terras raras são consideradas estratégicas para a indústria de alta tecnologia, por serem utilizadas na fabricação de equipamentos eletrônicos, veículos elétricos, sistemas de defesa e outros produtos. A China ocupa posição relevante na cadeia global desses minerais, o que tornou o tema um dos principais pontos das negociações comerciais.
Outro assunto tratado é a compra de produtos agrícolas dos Estados Unidos pela China. O governo norte-americano busca ampliar o acesso de produtores e empresas americanas ao mercado chinês, enquanto Pequim negocia condições para a manutenção do comércio bilateral em setores considerados importantes para sua economia.
A relação comercial entre os dois países passou por forte deterioração durante o governo Trump, com a aplicação de tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos. A China respondeu com medidas semelhantes, provocando uma sequência de aumentos tarifários e restrições comerciais.
A trégua comercial reduziu parte dessas tarifas e permitiu a retomada de negociações. O entendimento atual, porém, não encerra as divergências entre os governos. Questões relacionadas à tecnologia, às terras raras, ao comércio de produtos agrícolas e às tarifas continuam sendo discutidas.
Durante a visita de Xi aos Estados Unidos, os dois presidentes também trataram de inteligência artificial e da disputa tecnológica entre os países. Washington mantém restrições à exportação de determinados chips e equipamentos avançados para a China, enquanto Pequim busca ampliar sua capacidade própria de produção e desenvolvimento tecnológico.
O encontro ocorreu em um momento de tentativa de estabilização da relação bilateral. Os dois governos têm interesse em evitar uma nova escalada comercial, mas permanecem divergências sobre a política industrial, o acesso a tecnologias estratégicas, o comércio exterior e a atuação de empresas dos dois países.