Sexta-feira, 24 de Maio de 2024

Home em foco Prisão perpétua para autor de massacre em escola da Flórida decepciona famílias das vítimas

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Os jurados de uma corte dos Estados Unidos determinaram que Nikolas Cruz, assassino confesso de 17 pessoas em um dos piores massacres em escola da história dos EUA, deve ser condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. O júri, assim, descartou a possibilidade da pena de morte.

Cruz matou 14 alunos e 3 funcionários da escola secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, em fevereiro de 2018. Ele confessou os assassinatos em outubro do ano passado.

Ele agora aguarda a sentença final, que será anunciada pelo juiz até 1º de novembro, depois que a Promotoria entrou com um pedido para que famílias das vítimas fossem ouvidas antes da decisão.

O caso é considerado o ataque com arma mais mortal já julgado nos EUA. Houve massacres maiores, mas os autores morreram ou tiraram as próprias vidas durante os crimes.

O processo judicial concluído na quinta (13) não analisava a culpabilidade do réu, mas sim a pena que lhe correspondia: prisão perpétua ou morte.

Em diversas ocasiões, os jurados reconheceram de forma unânime que os atos de Cruz colocaram “muitas pessoas em risco” e foram “premeditados, calculados, hediondos e cruéis”.

Repetidas vezes eles disseram que os atos eram dignos da pena de morte. Porém, o juiz disse que um (ou mais) jurados concordaram que não era possível estabelecer “para além de uma dúvida razoável” que os fatores agravantes do caso superam os fatores atenuantes.

Indignação

A decisão do júri que poupou Nikolas Cruz da pena de morte foi descrita como “surreal” e “errada” por parentes das vítimas em uma entrevista coletiva realizada após o anúncio.

“Eu não poderia estar mais decepcionado com o que aconteceu hoje”, disse Fred Guttenberg, cuja filha de 14 anos, estava entre os estudantes mortos. “Estou atordoado. Estou devastado”, disse ele. “Há 17 vítimas que não receberam justiça hoje. Este júri falhou com nossas famílias hoje.”

Tanto o governador republicano da Flórida, Ron DeSantis, quanto seu oponente eleitoral, o democrata Charlie Crist, disseram acreditar que o atirador deveria ter recebido a pena de morte.

“Eu simplesmente não acho que qualquer outra coisa seja apropriada, exceto uma sentença de morte neste caso”, disse DeSantis.

Fatores atenuantes

O principal argumento utilizado pela defesa de Cruz foi baseado nas difíceis circunstâncias em que ele cresceu.

Especificamente, os advogados que o representavam o jovem assassino se concentraram em sua mãe biológica e nos efeitos que seus problemas com álcool e drogas tiveram no desenvolvimento fetal de Cruz.
De acordo com testemunhas de defesa, Brenda Woodward, mãe natural de Cruz, “excedeu em muito” a quantidade limite de bebida que os médicos acreditam que poderia afetar as mulheres grávidas.

Um dos médicos especialistas que serviu como testemunha de defesa disse que “nunca tinha visto uma mulher grávida beber tanto”.

Com isso, a defesa tentou mostrar que o tiroteio havia sido resultado de problemas mentais “inevitáveis”, decorrentes de uma condição conhecida como síndrome alcoólica fetal.

“O destino dele foi selado desde o útero e, em uma sociedade civilizada e humana, realmente matamos pessoas com danos cerebrais, doentes mentais, quebradas?”, perguntou a advogada Melissa McNeill em seus argumentos finais.
Cruz foi adotado logo após seu nascimento, em um acordo particular entre os pais adotivos, Roger e Lynda Cruz, e a mãe biológica.

Roger Cruz morreu de ataque cardíaco quando Nikolas tinha 5 anos e, de acordo com o que foi dito durante o julgamento, sua mãe adotiva se sentiu sobrecarregada por criar ele e seu irmão sozinha.

Quando criança, Nikolas Cruz diagnosticado com depressão, TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), desordem comportamental, entre outros transtornos, segundo os registros do Departamento de Crianças e Famílias local.

A mãe também disse aos funcionários da agência que Cruz tinha transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e problemas de temperamento.

Lynda Cruz morreu em novembro de 2017, seis meses antes do tiroteio.

O advogado de defesa McNeill argumentou que uma sentença de morte “não mudaria nada” e “não traria as vítimas de volta”.

 

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