Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2022

Home Brasil Professor de Medicina é denunciado à Polícia após perguntar se aluna preferia ser estuprada “com ou sem lubrificante íntimo”

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A Polícia Civil do Pará investiga um professor de Medicina que perguntou a uma aluna se ela iria preferir usar lubrificante ou “no seco” se fosse estuprada. O questionamento se deu durante uma aula em faculdade particular de Belém, capital do Estado, e foi filmado: o vídeo acabou “viralizando” nas redes sociais e tem sido alvo de intensa polêmica.

De acordo com o que foi apurado até agora, o docente utilizava um boneco de simulação para detalhar a um grupo de alunos e alunas como é feita corretamente uma intubação – inserção de um dispositivo pela boca até a traqueia, para fins respiratórios, em um procedimento que se tornou bastante conhecido do público em geral – ao menos no nome – a partir da expansão de casos graves de coronavírus.

Em determinado momento da prática, ele indaga a uma das estudantes se ela havia providenciado a lubrificação do cilindro. Diante da negativa por parte da universitária, o professor muda o tom de voz e faz o seguinte comentário reprovatório, em tom jocoso:

“Pois eu quero ver se quando a senhora for estuprada vai querer levar o ‘KY-Gel’ [conhecida marca de lubrificante íntimo] para facilitar a vida ou vai preferir no seco mesmo (…)”.

O caso motivou o registro de boletim de ocorrência em uma Delegacia de Polícia especializada em atendimento à mulher. A denúncia envolve o crime conhecido como “importunação sexual” e o nome do professor não foi mencionado pelas autoridades.

Repercussão

De forma presencial ou on-line, o episódio tem motivado diversas manifestações de repúdio por parte da comunidade acadêmica. Além de protestos nas redes sociais, um ato público foi realizado em frente ao Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz), onde tudo começou.

Por meio de nota, a reitoria da instituição de ensino superior informou que, tão logo tomou conhecimento do incidente, adotou todas as providências cabíveis e procedimentos administrativos para apurar os fatos. Em âmbito interno, o caso está aos cuidados do Comitê de Ética Disciplinar.

“O Unifamaz reafirma seu compromisso com o ensino de qualidade, pautados no respeito humano e na integridade pessoal. Dessa forma, repudia veemente qualquer prática inadequada na relação acadêmica professor-aluno”, ressalta um trecho do comunicado.

Além disso, o Conselho Regional de Medicina (CRM) do Pará confirmou a instauração de procedimento administrativo, conforme previsto na Lei nº 3.268/1957. O Ministério Público (MP) do Pará, por sua vez, aguarda o andamento das investigações para entrar em ação.

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