Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026

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Na campanha de Flávio Bolsonaro, questões sobre economia têm ficado a cargo da coordenadora Daniella Marques, pessoa mais cotada para assumir o Ministério da Economia em caso de vitória do candidato do PL. Daniella não é economista. Formada em Administração de Empresas, ela tem uma pós-graduação em finanças voltada à prática corporativa, ou seja, pouco teórica e sem status de mestrado.

O programa de Bolsonaro tem prometido cortes severos do investimento público, visando reduzir em R$ 250 bilhões as despesas obrigatórias do aparato estatal federal. Para isso, o plano mexe inevitavelmente em regras para reajustes de aposentadorias, benefícios como o BPC e dos pisos das carreiras da Saúde e Educação.

Com o aumento do debate crítico desses cortes previstos, a campanha de Flávio Bolsonaro tem mudado o tom, prometendo, por exemplo, não prejudicar o Bolsa Família e veiculando peças de campanha que visam tranquilizar os aposentados.

O que dizem os especialistas?

O economista norte-americano Joseph E. Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, analisou as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro em artigo recente e concluiu que as metas de cortar até 2% do PIB em gastos públicos podem gerar não apenas a desaceleração do crescimento econômico, mas até mesmo uma recessão.

Ele explica que as medidas acarretam perda de poder de compra das famílias e isso afeta toda a economia, já que diminui o consumo de produtos e de serviços diversos, como comércio formal e informal, trabalhadores de entregas etc. Essa retração econômica diminui também os empregos e aumenta a pobreza e a vulnerabilidade das classes mais baixas.

O economista estadunidense diz ainda que o efeito na dívida pública pode ser o contrário, já que a diminuição da arrecadação pode criar um círculo vicioso de novos cortes e aprofundamento das recessões, como temos visto ocorrer na Argentina, que aplica medidas parecidas e que inspiram as ideias de Flávio e Daniella.

Professor de Economia Elias Jabbour também critica o projeto

O professor doutor de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Elias Jabbour, autor de múltiplos livros e artigos científicos de economia, diz que o programa econômico de Flávio Bolsonaro prega um capitalismo que nunca existiu e que cortar investimentos públicos essenciais nunca trouxe crescimento econômico em lugar algum do mundo, muito pelo contrário.

Elias diz ainda que o programa da extrema direita é uma simplificação que pode ser vista como negacionismo da ciência econômica e que esconde e protege todo um setor de gastos públicos, que é o mercado financeiro em função das taxas de juros.

Parece, então, que aqueles que entendem verdadeiramente de economia concordam principalmente que as medidas econômicas desejadas pela extrema direita poderão piorar a vida e a situação econômica principalmente das classes baixas e médias, ao mesmo tempo em que protegerão justamente os mais ricos, a chamada classe rentista, que não precisa trabalhar, já que vê suas altas quantias aplicadas renderem passivamente no mercado financeiro.

Henrique Casanova
Jornalista e Geógrafo
@henriquecasanovapoa

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