Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026

Home em foco Proposta de emenda perdoa dívidas de partidos que desrespeitaram cota de raça e gênero ou apresentaram propaganda irregular em eleições

Compartilhe esta notícia:

A Câmara dos Deputados instalou nessa quarta-feira (2), a comissão especial que analisará a PEC da Anistia. A sessão também elegeu o presidente do colegiado, deputado Diego Coronel (PSD-BA), e o relator, Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP). O projeto isenta legendas e políticos que cometeram crimes eleitorais de 2015 a 2022. Esse é último passo antes de a PEC ir à votação no plenário da Casa.

No dia 13 de julho, poucos dias antes do recesso do meio do ano, a Mesa Diretora da Casa havia determinado a abertura da comissão especial, mas a instauração foi adiada. No dia 16 de maio, a proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que avalia a constitucionalidade do texto.

O deputado Domingos Neto (PSD-CE) presidiu a sessão dessa quarta. Ele abriu a votação enquanto parlamentares faziam defesas contra e a favor da PEC.

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e outros integrantes do PSOL discursaram contra a proposta. A parlamentar também se candidatou à presidência do colegiado, mas obteve apenas um voto, contra 18 que foram dados a Diego Coronel. Gilberto Abramo (Republicanos-MG), Marcelo Lima (PSB-SP) e Renata Abreu (Podemos-SP) foram eleitos para os cargos de primeiro, segundo e terceiro vice-presidente.

Apoio do PT

Há cinco parlamentares do PT que são titularidades comissão especial: Reginaldo Lopes (MG), Odair Cunha (MG), Kiko Celeguim (SP), Jilmar Tatto (SP) e Washington Quaquá (RJ), que não compareceu à sessão desta quarta.

Tatto defendeu a PEC da Anistia, como uma forma de solucionar “passivos antigos” das siglas. “Quando teve a mudança do financiamento privado para o público, isso foi feito de forma açodada. Os partidos tinham dívidas, podiam fazer captação privada e, de uma hora para a outra, essa captação não foi mais permitida. Ficou esse passivo, daquela época”, disse o petista.

Prazo 

O regimento da Câmara estabelece que a comissão especial tem duração mínima de dez e máxima de 40 sessões. Na abertura do colegiado nessa quarta, o deputado Domingos Neto afirmou que a comissão se reuniria em dez sessões, preenchendo o número mínimo previsto no regimento.

Depois que o resultado da votação para presidente foi declarado, Diego Coronel foi questionado por parlamentares e assegurou que a comissão especial fará as 40 sessões. De acordo com o regimento, o espaço da comissão é o único em que podem ser apresentadas emendas à PEC. Ao longo dessas sessões, convidados externos podem emitir pareceres e discursarem sobre o tema na Casa.

Entenda

A proposta de Emenda à Constituição 9/2023, chamada de PEC da Anistia, propõe o perdão de dívidas que partidos têm na Justiça por propaganda irregular ou abusiva em campanhas e descumprimento da cota de gênero e raça nos pleitos, por exemplo. A PEC amplia uma outra emenda constitucional, de 2022, que já anistiava em parte das dívidas dos partidos.

São três as mudanças em jogo:

*Anulação de multas, de ordens de devolução de valores e de suspensão do fundo partidário de partidos que não cumpriram cota de gênero e raça em todas as eleições que já aconteceram;

*Anulação de todas as sanções de partidos que tiveram problemas na prestação de contas de campanha de todas as eleições que já aconteceram;

*Permissão de financiamento privado de dívidas assumidas até agosto de 2015, quando passou a vigorar o financiamento público de campanhas.

A PEC foi protocolada no dia 22 de março e é assinada por 184 deputados, que vão desde o PT de Luiz Inácio Lula da Silva ao PL de Jair Bolsonaro. O débito do Partido dos Trabalhadores, por exemplo, está na casa dos R$ 23 milhões. A do Partido Liberal é de R$ 4,7 milhões. Apenas os parlamentares do Novo e do PSOL são unânimes contra a PEC.

São necessários 308 votos para a aprovação da PEC no plenário da Câmara. Se aprovada, a PEC precisa passar pelo Senado, onde precisa de 49 votos. As dívidas serão anuladas caso a proposta seja sancionada e incorporada à Constituição.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de em foco

Ministros de Lula criam agenda toda sexta para voltar para casa de jatinho da FAB
Tribunal Superior Eleitoral rejeita inelegibilidade do ministro da Justiça, Flávio Dino, por abuso de poder
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Pampa Na Madrugada