Sábado, 26 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de setembro de 2026
A primeira vez que ouvi esta frase foi em uma palestra do imenso pensador Luiz Antônio Simas. Era aula aberta, em plena calçada, disponível para todos. No centro, estava ele, de pé, falando da vida, da morte, e, de repente, lança esta frase entre tantas:
O contrário da vida não é a morte, é o desencanto. Naquele instante, tudo ficou suspenso. Aquelas palavras, uma a uma, foram se instalando e desorganizando tudo o que eu pensava sobre esse assunto que, em realidade, envolve quase tudo.
A vida, esse período em que passamos na terra, conhecendo, produzindo, brincando, estando, é um tempo, um momento. Assim que aprendi. A morte é o fim desse tempo, o dia em que tudo termina. A despedida.
Naquela tarde, ouvindo essa frase, com a inclusão desse terceiro conceito, o encantamento, tudo mudou de lugar.
Toda a polarização se desfez – o que é difícil para quem sempre teve de escolher entre o Inter e o Grêmio, inverno e verão, Zona Norte e Zona Sul. Existe uma nuance que muda todo o entendimento. A perspectiva do encanto pode deixar o período da vida morto, e a morte, muito viva.
Neste mês, em que se pensa sobre saúde mental, convido a refletir sobre os encantos das histórias, dos momentos, das palavras. Convido a investigar o que nos faz brilhar o olhar, a enxergar além da rotina, a abrir frestas (e a arte pode ajudar) para sentir além da superfície.
Lembrar daquela história que seu avô contava. Aquela piada que um colega repetia, e a graça era ouvir de novo. A beleza das azaleias que abrem buquês pela cidade. Estar disposto a deixar o encanto entrar.
Não somos só dentro e fora, somos múltiplos e cheios de camadas, e existe um fio encantado que une tudo. Às vezes, precisamos de ajuda para encontrá-lo.
*Por Chris Cidade Dias, escritora, autora do romance “A mulher que ouvia os quadros”
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