Domingo, 19 de Abril de 2026

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Em uma conversa com um amigo e  pastor fui confrontada com uma pergunta simples, mas incômoda. Porque não exigia conhecimento, exigia verdade. 

Vivemos um tempo onde valor virou sinônimo de entrega. Se você produz, você vale. Se você performa, você é reconhecido. E, sem perceber, começamos a repetir uma lógica perigosa: eu sou enquanto faço. Eu sou enquanto entrego. Eu sou enquanto sou útil. 

O problema é que isso constrói uma identidade instável, uma identidade por performance. Porque se tudo o que você é depende do que você faz, basta um dia ruim, uma pausa ou uma perda para que tudo pareça desmoronar junto.

É claro que uma  boa performance sustenta uma carreira, mas ela não sustenta uma identidade.

E é por isso que vemos tantas pessoas produtivas, reconhecidas, mas ainda assim, inseguras.

Porque quando o fazer silencia, surge a pergunta que muitos evitam: 

quem eu sou sem os meus resultados?

Sem o cargo. Sem o título. Sem os likes nas redes sociais. Sem o sobrenome.

Eu mesma já acreditei que o meu valor estava diretamente ligado ao que eu entregava. Aos resultados, à percepção que gerava nos outros sendo bem sucedida nos meus negócios. E isso funciona… até parar de funcionar.

Hoje, eu me vejo em um outro lugar. Um lugar onde, antes de sair fazendo, eu entendo que Deus está organizando a minha mente.

“Transformai-vos pela renovação da mente.”

A mente é a primeira casa. E uma casa desorganizada não sustenta uma vida alinhada.

Mas, existe um processo, e esse processo vem depois de uma virada de chave interna. Primeiro, o despertar: “Desperta, tu que dormes.”

Despertar não é se tornar algo novo do nada. É ativar algo que já foi colocado dentro de você, é viver com consciência espiritual. E muitas vezes isso vem acompanhado de uma alegria silenciosa. Um senso de encaixe. O que hoje chamamos de flow. 

Mas é preciso cuidado: nem todo prazer é propósito. O propósito também exige disciplina. A sequencia é essa: organização da mente te traz clareza, que te mostra para onde ir. A disciplina te faz agir mesmo sem vontade. E depois a perseverança que é o que te mantém no caminho quando nada parece recompensar ainda.

E só então você se torna verdadeiramente útil.

Mas existe uma parte desse processo que pouca gente fala: o confronto. Que nada mais é que uma conversa sincera consigo mesma. Sem justificativas. Sem distrações. E, principalmente, com humildade.

Porque quando Deus começa a organizar a sua mente, ele expõe aquilo que precisa ser ajustado. Geralmente são motivações desalinhadas, decisões tomadas por validação e caminhos sustentados mais por orgulho do que por propósito.

E isso dói. Dói perceber que nem tudo o que você construiu nasceu do lugar certo. Dói entender que, em alguns momentos, você estava mais preocupada em provar do que em servir.

Mas já te adianto que esse processo não é para te diminuir. É para te alinhar. Só que alinhar exige moer o orgulho, e o orgulho tenta sustentar aquilo que já não faz mais sentido, ele te convence a continuar, só para não parecer que você errou. 

Mas maturidade não é insistir. É ajustar.

Durante muito tempo, eu achei que pessoas fortes eram aquelas que começavam muitas coisas. Hoje, com maturidade, eu vejo diferente. Pessoas fortes são aquelas que sabem quando encerrar com lucidez. 

Você não precisa sustentar algo só porque um dia aquilo te sustentou. Encerrar um ciclo não é perda. É abertura. É o que libera espaço real para o próximo nível existir.

Eu sei que é difícil ter coragem para encerrar,  pois é mais fácil as pessoas continuarem vivendo versões antigas de si mesmas por apego do que já funcionou um dia. 

Mas no meio de tudo isso, algo muda profundamente: a motivação.

Você começa a se perguntar com mais honestidade: isso que eu faço edifica, ou só impressiona?

Porque existe uma diferença: Impressionar gera aplauso e edificar gera transformação.

E quando você baseia seus dons apenas no reconhecimento externo, corre um risco silencioso de desenvolver performance, e não ministério.

Para mim, existe um fundamento que sustenta tudo isso.

Você não é o que você entrega.

Você não é o que as pessoas dizem.

Você é uma filha amada de um Deus vivo. Um Deus que te deu valor antes de qualquer resultado. 

E quando isso deixa de ser apenas uma frase e passa a ser convicção, algo muda.

Você não trabalha mais para ser aceita. Você não performa para ser validada.

Você constrói a partir de um lugar de identidade já estabelecida.

E isso muda tudo. O Crescimento exige despedidas. 

Suellen Ribeiro – Empresária, Mentora, e Apresentadora do Jornal da Pampa, do Grupo Rede Pampa @suribeiroc

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