Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2022

Home em foco Reino Unido tenta conviver com a variante ômicron adotando o mínimo de restrições e incentivando a vacinação

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O Reino Unido se tornou um laboratório de testes em busca da estratégia mais eficiente para manter a variante ômicron sob controle com o menor número possível de restrições. Agora mesmo, o país mantém quatro estratégias diferentes para gerenciar a pandemia, uma em cada território britânico, mas é a da Inglaterra ― onde vivem 56 milhões dos 68 milhões de britânicos ― a que gera mais interesse, por ser a menos restritiva para a vida social e porque deposita na vacinação, especialmente na campanha para a terceira dose, a grande arma na batalha contra a nova onda do coronavírus.

O governo de Boris Johnson considera o grau de vacinação com a injeção de reforço como o fator fundamental que determinará o impacto da ômicron ― principalmente com o alto percentual de pacientes internados em UTIs que não se vacinaram.

Em Londres, quatro em cada dez internados não receberam nem sequer a primeira dose. Considerando-se o nível crescente de transmissão da variante, Boris ainda espera conseguir convencer os relutantes a evitar a saturação do Serviço Nacional de Saúde (NHS, em sua sigla em inglês) e a imposição de novas medidas restritivas, como as já implementadas em Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte após o Natal.

A aposta do primeiro-ministro britânico em não fazer mudanças antes do fim do ano convida a um otimismo cauteloso, já que se baseia nos dados epidemiológicos que seus assessores científicos lhe mostraram esta semana sobre o impacto da ômicron, que já representa 90% do casos na Inglaterra.

Embora os casos diários ainda estejam subindo e, nesta quarta-feira (29), tenham batido um novo recorde (183.037), o importante para o Executivo é que as internações estão longe dos picos do início de 2021.

O número de pacientes com covid-19 em hospitais de Londres aumentou 45% em uma semana e está dobrando a cada duas, mas os números estão bem abaixo do pico do início de 2021: os atuais pouco mais de 2.600 internados representam menos de um terço dos quase 8 mil de 18 de janeiro.

Outro sinal encorajador dos dados mais recentes é que eles parecem apoiar as conclusões do estudo publicado na semana passada pela Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA, da sigla em inglês) sobre a gravidade da ômicron. O relatório, o mais detalhado sobre a nova variante até agora, conclui que seu risco de internação é até 70% menor que o do delta.

O problema é que, embora as internações sejam menores do que nas ondas anteriores, o grande número de infecções pela variante ômicron tem um impacto severo na força de trabalho.

Os profissionais de saúde não estão isentos da obrigação de se isolarem quando tiverem testes positivos e, embora o governo tenha reduzido o período de dez para sete dias, muitos gestores hospitalares já alertam que a falta de pessoal relacionada à ômicron “pode ser um desafio maior do que o número de pacientes graves” que eles têm que tratar.

Os dados, em todo caso, terão de ser monitorados diariamente, em paralelo à evolução da vacinação, grande esperança de Boris Johnson para evitar novas restrições e salvar um sistema nacional de saúde sobrecarregado de um novo inverno de descontentamento.

Em última análise, a decisão sobre como gerenciar esses parâmetros é política, e Boris Johnson está ciente da impopularidade de restrições adicionais, não apenas no público, mas em um Partido Conservador que mais uma vez olha com desconfiança para seu líder.

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