Terça-feira, 11 de Agosto de 2026

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Você já parou para pensar que a pessoa que você escolhe para partilhar a vida pode impactar profundamente o seu futuro?

Quando estamos apaixonados, é natural olhar para o outro com os olhos do encantamento. Enxergamos a química, os planos, as qualidades e, às vezes, fazemos uma pequena edição na realidade. Aquela mania que hoje parece “engraçadinha” pode ganhar outro nome depois do casamento.

O que parece apenas ciúme pode virar controle. E aquela frase “ele é assim mesmo” pode se transformar, com o tempo, em uma explicação para coisas que não deveriam ser normalizadas.

Não é preciso transformar o namoro em uma auditoria, com prancheta, planilha e entrevista com referências. Mas, talvez, seja importante observar um pouco mais.

Porque escolher um cônjuge não é apenas escolher alguém para amar. É também escolher, em alguma medida, o ambiente emocional no qual parte do nosso futuro será construída.

Um casamento saudável não precisa ser perfeito. Precisa ser um lugar de segurança, respeito e cumplicidade. Um relacionamento que não limita a nossa existência, mas oferece espaço para que continuemos sendo quem somos.

Uma boa relação não apaga sonhos. Ela ajuda a sustentá-los.

Pense em algo simples: você recebe uma oportunidade importante no trabalho e corre para contar ao seu parceiro. O que encontra do outro lado? Interesse genuíno? Alegria pela sua conquista? Incentivo? Ou uma resposta que diminui aquilo que aconteceu: “Também não é tudo isso”, “Você vai ficar sem tempo para mim” ou “Vamos ver quanto tempo isso vai durar?”

São pequenas cenas, aparentemente banais, que podem revelar muito. Da mesma forma, observe como essa pessoa reage quando você diz “não”. Como lida com uma opinião diferente. Como trata quem não pode lhe oferecer nada em troca. Como se comporta quando está frustrada ou com raiva. Como conversa depois de um conflito. Como respeita seus limites.

É nos momentos de contrariedade que conhecemos alguém com mais nitidez. O problema é que, quando estamos apaixonados, podemos confundir intensidade com profundidade. A ansiedade vira “frio na barriga”. O ciúme vira “prova de amor”. A instabilidade vira “emoção”. E, sem perceber, começamos a chamar de romance aquilo que, talvez, merecesse uma conversa séria.

Com o tempo, uma relação marcada por críticas constantes, desrespeito, manipulação ou instabilidade pode cobrar um preço alto. A pessoa começa a duvidar de si, mede palavras para evitar conflitos, abandona projetos, silencia desejos e vai diminuindo a própria vida para conseguir caber na relação.

E, talvez, seja justamente por isso que o namoro mereça ser vivido também como um tempo de observação. Não para procurar defeitos em uma caça ao erro, mas para perceber se existe compatibilidade de valores, maturidade emocional e disposição para construir juntos.

Afinal, não basta perguntar: “Eu amo essa pessoa?”

Talvez seja necessário perguntar também: “Eu me sinto segura para ser quem sou ao lado dela?”, “Essa relação me aproxima ou me afasta de quem desejo ser?” e “Se nada mudasse entre nós, eu gostaria de viver assim daqui a dez anos?”

Essa última pergunta pode ser desconfortável. E, justamente por isso, pode ser tão importante.

O futuro de um casamento não começa no dia da cerimônia. Ele começa nas escolhas, nos limites, nas conversas e nos sinais que aprendemos a enxergar muito antes do “sim”.

Escolher um cônjuge é escolher companhia para os dias extraordinários e para a terça-feira comum, para as contas, os cansaços, as perdas, as conquistas e os recomeços.

Por isso, antes de escolher alguém para dividir a vida, talvez valha a pena observar uma coisa muito simples: quem você está se tornando ao lado dessa pessoa.

Porque amar alguém é uma escolha bonita. Mas escolher alguém com quem você possa continuar crescendo é uma escolha que pode mudar o seu futuro.

Até a próxima consulta.

* Tatiane Scotta, psicóloga, sexóloga e palestrante

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