Quinta-feira, 30 de Junho de 2022

Home Brasil Rocha desaba sobre turistas em cânion em Minas Gerais

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Uma estrutura rochosa atingiu quatro lanchas na região dos cânions da cidade de Capitólio, a 293 km de Belo Horizonte, no começo da tarde de sábado (8). O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Minas Gerais confirmou sete mortos e 32 feridos no desastre até agora, e estima ao menos 3 desaparecidos — mais cedo, os bombeiros chegaram a divulgar 20 desaparecidos, mas depois atualizaram os dados.

As buscas com os mergulhadores estão suspensas durante a noite, mas devem retornar pela manhã deste domingo (9). A Marinha do Brasil deve instaurar um inquérito para apurar as circunstâncias do acidente.

De acordo com o último boletim do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais na noite de sábado, as sete vítimas e os três desaparecidos estavam na lancha chamada Jesus, uma das quatro impactadas pelo desprendimento da rocha. Os feridos das outras três lanchas já foram resgatados e conduzidos para unidades hospitalares da região — a maior parte já recebeu alta. No momento, o foco é nas três pessoas que continuam desaparecidas.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, houve um deslocamento de pedra. Anteriormente, a corporação apurava a relação da tragédia com uma tromba d’água. Desde ontem havia ocorrência de trombas d’água nas cachoeiras que desaguam no Lago de Furnas, e a Defesa Civil de Minas Gerais emitiu um alerta às 10h22 de sábado para a população evitá-las durante as chuvas. A região é chamada pelos operadores náuticos de “Mar de Minas” e, no local onde as lanchas atracam, os turistas podem tomar banho e se aproximar das cachoeiras no cânion.

Dos 32 feridos, 23 foram atendidos e liberados na Santa Casa de Misericódia de Capitólio, segundo o Corpo de Bombeiros. A unidade da Santa Casa de Passos confirmou ter recebido três vítimas, segundo os bombeiros em estado estável. Já a Santa Casa de Piumhi atendeu mais duas com fraturas abertas. Outros quatro feridos ainda foram levados para a Santa Casa de São José da Barra e já deixaram o hospital.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, os corpos das vítimas fatais foram encaminhados ao posto de medicina legal do município de Passos. Eles estavam sem documentos e terão as impressões digitais coletadas para identificação.

Tragédia

Pelo Twitter, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lamentou a tragédia e disse que o governo esteve presente desde os primeiros momentos do acidente. “Os trabalhos de resgate ainda estão em andamento. Solidarizo com as famílias neste difícil momento. Seguiremos atuando para fornecer o apoio e amparo necessários”, escreveu.

O prefeito de Capitólio, Cristiano Silva (PP), disse em vídeo publicado no Instagram estar “transtornado com esse desastre natural”. Corrigindo a primeira informação de que o acidente teria sido causado por uma tromba d’água, ele afirmou se tratar de um deslocamento de pedra. O prefeito também destacou a rápida mobilização da Marinha, do Corpo de Bombeiros do Estado, da prefeitura e das cidades vizinhas no resgate e atendimento das vítimas.

Segundo nota do Comando do 1º Distrito Naval da Marinha do Brasil, a Delegacia Fluvial de Furnas (DelFurnas) deslocou equipes de busca e salvamento para o local para prestar apoio às embarcações atingidas, no transporte de feridos para hospitais e aos outros órgãos que estão atuando no resgate. Um inquérito será instaurado para apurar as circunstâncias do acidente.

Os mergulhos de busca por vítimas devem ser interrompidos à noite, mas a equipe continuará na região. Uma aeronave que estava se deslocando até o local do acidente não conseguiu pousar por causa da chuva e do excesso de nebulosidade. O posto de comando da operação de resgate funciona no Clube Náutico do município de São José da Barra.

Além do alerta da Defesa Civil de Minas, minutos antes da queda do paredão em Capitólio, a Defesa Civil Nacional informou na véspera do desabamento que havia expectativa de um grande volume de chuva, superior a 100 milímetros por dia, para as cidades localizadas no oeste de Minas Gerais. O alerta era de nível vermelho.

No sábado, depois da tragédia, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, chamou a atenção de agentes de Defesa Civil nos Estados para situações similares. “Os agentes devem se atentar, também, às especificidades de risco de sua região, tais como cachoeiras, rochas, falésias, entre outras”, afirmou.

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