Quinta-feira, 19 de Maio de 2022

Home em foco Rússia aumenta poder de fogo e concentra ataque em quatro frentes na Ucrânia

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Após a aposta inicial russa de uma ofensiva fulminante esbarrar em mais obstáculos do que previa, o Exército do Kremlin ajusta as suas expectativas, organiza novos arranjos logísticos e se prepara para uma campanha mais longa, dura e destrutiva na Ucrânia.

Atualmente em seu oitavo dia, a ofensiva russa se concentra agora em quatro eixos de ataques: em Kiev, em Karkhiv (segunda maior cidade do país, no Leste, a 65 km da fronteira com a Rússia), na região separatista de Donbass e no Sul, que, desde o início dos conflitos, é onde a Rússia registrou mais vitórias.

As forças russas estão estabelecendo condições para cercar várias das principais cidades ucranianas e dedicaram os últimos dias a reorganizar sua linha de suprimentos para Kiev, após enfrentar problemas na entrega de combustível e de alimentos. A logística falha fez com que, por exemplo, muitos veículos militares russos fossem abandonados.

Uma ofensiva terrestre contra a capital é esperada para quando a logística estiver funcional, mas ainda não parece iminente. Além dos cercos às cidades, as forças russas também tentam isolar as forças ucranianas.

O comando terrestre do Exército brasileiro, que produz relatórios públicos diários sobre a guerra, infere “que a negociação de um pretenso acordo visa permitir o ressuprimento das tropas ou mesmo dissimular o ímpeto da continuidade das operações por parte da Rússia”.

Por ora, um enorme comboio de tanques, caminhões e veículos blindados de combate se aglomera a noroeste de Kiev, e há ataques aéreos, de artilharia e com mísseis contra alvos estratégicos em andamento.

Segundo a maioria dos analistas militares, uma descomunal desigualdade de forças entre as partes pode acarretar uma mudança de maré a favor da Rússia no futuro próximo.

De acordo com pesquisadores do Instituto de Estudos da Guerra (ISW), uma das organizações da sociedade civil que têm produzido relatórios diários de inteligência, Moscou “pode obter ganhos significativos em sua campanha, tão logo ajuste suas falhas”.

“Há um reajuste das regras de engajamento do lado russo. Havia uma ideia de ganhar corações e mentes, de que haveria um levante pró-Moscou. Mandavam então veículos e agrupamentos leves, e eram completamente destruídos”, disse Tito Lívio Barcellos Pereira, geógrafo e analista geopolítico independente.

Segundo uma autoridade da Inteligência americana, 82% dos até 190 mil soldados russos concentrados na fronteira já entraram na Ucrânia. Destes, menos da metade já participou de alguma batalha.

De acordo com Franz-Stefan Gady, analista militar do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), de Londres, os céus ainda estão em disputa, mas “cedo ou tarde a Rússia dominará os céus da Ucrânia em altitudes mais elevadas”.

Resistência

Por outro lado, todos os relatos apontam que o moral e a disposição para a guerra dos soldados ucranianos permanecem extremamente altos. É provável que, conforme as forças russas avancem, eclodam conflitos de guerra urbana, nos quais a Rússia deve utilizar armas de poder de fogo elevado, e a Ucrânia deve responder com mísseis antitanque (Javelins) e mísseis terra-ar (Stingers).

Os indícios são de que o conflito se aproxima de uma fase mais mortífera. Isto já se verificou nesta quarta-feira em Mariupol, no Sudeste, onde, segundo o vice-prefeito, ataques em bairros residenciais deixaram centenas de mortos.

Até agora, os números de baixas são pouco confiáveis. O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta quarta-feira que 498 soldados russos morreram e 1.597 ficaram feridos desde o início da operação. Foi a primeira vez que Moscou divulgou suas baixas. Segundo o porta-voz russo, as baixas dos “militares e nacionalistas ucranianos” chegam a “2.870 mortos e cerca de 3.700 feridos”.

O governo ucraniano, por sua vez, divulgou que pelo menos 7 mil soldados russos teriam sido mortos desde o início da invasão, enquanto centenas estariam prisioneiros, incluindo oficiais. A Ucrânia não divulgou suas baixas militares. Nenhum dos números pôde ser verificado de forma independente.

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