Quarta-feira, 15 de Maio de 2024

Home Economia Saiba como a maior alta da taxa de juros nos Estados Unidos desde 1994 pode afetar o Brasil

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O Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) elevou nesta semana os juros da economia americana em 0,75 ponto percentual, para a faixa de 1,5% a 1,75%.

Foi a maior alta desde 1994, em uma tentativa de conter a inflação nos EUA, pressionada pelo aumento dos preços de combustíveis e alimentos, como consequência da guerra na Ucrânia e dos desarranjos logísticos provocados pelos lockdowns em resposta à covid na China.

Após o aumento dos juros, o presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou que a próxima alta deve ser de 0,50 ou 0,75 ponto percentual, minimizando temores de que o próximo ajuste pudesse ser ainda mais forte, de 1 ponto.

“Claramente, o aumento de 75 pontos base [0,75 ponto percentual] de hoje é incomumente grande e não espero que movimentos desse tamanho sejam comuns”, disse Powell. “Da perspectiva de hoje, um aumento de 50 pontos base ou de 75 pontos base parece mais provável em nossa próxima reunião.”

A alta de juros nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos aponta para uma desaceleração da economia mundial à frente. Isso porque, quando os juros sobem, fica mais caro para empresas e famílias tomar empréstimos, o que diminui a atividade econômica. Além disso, investidores tiram recursos de países em desenvolvimento rumo aos países ricos, considerados mais seguros.

Para o Brasil isso deve ter dois efeitos principais: por um lado, a desaceleração da economia mundial reduz a demanda por bens e serviços, e pode reduzir as exportações brasileiras. Por outro, a redução da atividade global pode ajudar a conter a inflação no Brasil, em um momento em que as expectativas para os preços pioram diante das pressões sobre as contas públicas com medidas adotadas pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) em ano de eleição.

Dólar

Quanto ao que vai ser do dólar, os economistas estão divididos. Há quem aposte que a moeda americana encerre o ano acima de R$ 5, já que a alta de juros nos EUA faz com que recursos saiam do Brasil rumo aos papeis do Tesouro americano. Mas há também quem acredite que haja espaço para o dólar abaixo dos R$ 5, diante do anúncio mais brando de Powell sobre os rumos da política monetária americana.

“Olhando para a frente, num cenário em que o Fed vai continuar subindo juros ainda e que há muita incerteza quanto ao ponto final dessa alta — acredito que será mais próximo de 3,5% a 4% — vamos ver repercussões no câmbio”, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.

“Para piorar nossa situação, temos um ciclo fiscal complicado na economia brasileira e um ciclo político-eleitoral bastante tenso para o segundo semestre. Juntando esses três elementos, chegamos ao câmbio acima de R$ 5 que esperamos ao fim do ano”, complementa.

Vale projeta o dólar a R$ 5,30 ao fim de 2022. A moeda americana chegou perto de R$ 4,60 em meados de abril, diante da forte valorização das commodities em meio à guerra na Ucrânia, que atraiu recursos estrangeiros ao Brasil.

Na contramão, Flavio Serrano, economista-chefe da Greenbay Investimentos, não acredita no dólar acima de R$ 5 ao fim deste ano.

“O discurso de Powell foi um pouco mais tranquilizador, a despeito de alta de 0,75 desta quarta-feira, porque tirou o fantasma de uma alta de 100 pontos [1 ponto percentual] no curto prazo”, diz Serrano. “Com isso, a bolsa americana subiu e as moedas em geral passaram a performar muito bem contra o dólar americano, aqui não foi diferente.”

Serrano vê o dólar entre R$ 4,80 e R$ 5 no fim de 2022. “Há um potencial de menor crescimento global, gerando menor pressão de preços. Isso pode facilitar o trabalho do Banco Central brasileiro no combate à inflação.”

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