Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2024

Home Comportamento Saiba por que a maçonaria inspira tantas teorias da conspiração

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Uma hora é um livro novo, outra hora uma declaração política. Teorias e conspirações envolvendo a maçonaria, uma sociedade que sempre teve sua aura de mistério, povoam desde ficções best-sellers como O Símbolo Perdido, de Dan Brown, até a campanha eleitoral brasileira de 2018.

Mas o que é a maçonaria, afinal? Com cerca de 170 mil membros no Brasil, trata-se de uma sociedade outrora secreta, de caráter filosófico e filantrópico. Seus integrantes defendem os princípios da liberdade, da democracia, da igualdade e da fraternidade, além de serem entusiastas do aperfeiçoamento intelectual. Calcula-se que haja 3,6 milhões de maçons no mundo.

Sua origem remonta à Idade Média, quando as profissões se agrupavam em corporações de ofício – as chamadas guildas. Os pedreiros ou construtores, com o conhecimento herdado das técnicas romanas e gregas, se organizavam em um desses grupos. E, por uma questão de sobrevivência frente a uma possível concorrência, eles guardavam os segredos da construção civil, temerosos de que as técnicas caíssem em domínio público.

O grupo, então, nasceu assim: como um maneira de garantir a hegemonia do conhecimento e, ao mesmo tempo, possibilitar um intercâmbio de informações entre essa confraria de construtores. Aos poucos, outros temas foram introduzidos nas conversas. O que eram apenas convescotes laborais, portanto, foram ganhando importância em termos de debate.

Como sociedade filosófica e filantrópica, a maçonaria foi fundada em 24 de junho de 1717, na Inglaterra. Foi ideia de dois pastores protestantes, James Anderson e J. T. Desaguliers, alinhados com os princípios do livre pensamento que nortearam o movimento conhecido como iluminismo.

Historicamente, a sociedade só aceita homens. De acordo com eles, é uma questão de tradição: como a maçonaria teve origem nas corporações de ofício dos pedreiros medievais – e eles eram estritamente masculinos –, a regra foi mantida.

O poder veio nos Estados Unidos. Ali, os maçons tiveram participação importante na Independência americana e, não à toa, dos 55 signatários da Declaração de Independência, nove vinham da maçonaria. Dos 39 que aprovaram a Constituição, 13 eram maçons. Benjamin Franklin era maçom. George Washington, o primeiro presidente americano, também. Na virada do século 18 para o século 19, a maçonaria era um ‘clube’ que reunia as mentes mais influentes e antenadas do planeta.

Os maçons também influenciaram a Revolução Francesa – conta-se que a Marselhesa, hino da França, foi composta na loja maçônica de Marselha.

América do Sul

Na América do Sul, não foi diferente. Conforme estudos do pesquisador inglês Andrew Pescott, a sociedade participou dos processos de independência de todos os países sul-americanos. Na lista dos ilustres maçons libertadores, estão o venezuelano Simon Bolívar, o argentino José de San Martín e o chileno Bernardo O’Higgins. Além, é claro, de D. Pedro 1º.

“A maçonaria influenciou o processo de independência e, depois do Sete de Setembro, reuniões em lojas maçônicas pediam ajuda aos irmãos para que D. Pedro fosse reconhecido como imperador constitucional do Brasil”, afirma o historiador Paulo Rezzutti.

A maçonaria brasileira nomeou Pedro 1º grão-mestre da sociedade. E ele assumiu a alcunha de Guatimozin – nome dado pelos cronistas espanhóis ao último imperador asteca.

Não foi só a Independência. A República também veio por meio de um maçom, marechal Deodoro da Fonseca.

Conspirações

O terreno fértil para conspirações tem dois motivos: o fato de a maçonaria ser uma sociedade exclusiva, ou seja, um clube onde só entram convidados e cujas reuniões são a portas fechadas; e por causa do alto número de celebridades da História que já fizeram parte da sociedade.

Dessa junção de fatores veio também a conhecida teoria conspiratória sobre a suposta “Nova Ordem Mundial”. De acordo com essa lenda, seria um plano para que o mundo tivesse um governo único, planejado e comandado por maçons. Na prática, não faz sentido: nem as lojas maçônicas são únicas, do ponto de vista organizacional; cada casa é independente e abriga confrades com pontos de vista diferentes.

A Confederação Maçônica Brasileira esforça-se para combater os mitos acerca da sociedade. Segundo a organização, os maçons não são anticatólicos, tampouco “racistas e elitistas”, como muitos acreditam.

“Quanto ao racismo, a maçonaria estabelece explicitamente a igualdade entre os homens sem considerar raça, credo ou cor. Se considerarmos que apenas são convidados a participar da maçonaria homens virtuosos e representantes da sociedade, pode-se dizer que ela é uma elite, embora o correto seja afirmar que ela impõe critérios rigorosos para a iniciação de um novo membro”, frisa a Confederação.

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