Quarta-feira, 17 de Julho de 2024

Home Ciência Salvar o planeta: O que é mais urgente para enfrentar a crise do clima em 2023

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O Hemisfério Norte enfrentou uma seca histórica este ano. Por lá, ondas de calor também não foram algo pontual nos últimos meses assim como desastres causados por chuvas aqui no Brasil. Junto com tudo isso, as altas taxas de desmatamento, queimadas e a ineficiência do governo federal para tratar do problema vêm preocupando não só ambientalistas e lideranças indígenas como também órgãos de controle do governo.

Mas será que o tema ambiental vem sendo realmente levado a sério ou estamos ignorando uma crise diante dos nossos olhos? Qual a percepção da população sobre a importância de se discutir os impactos desiguais do aquecimento global e o que pode ser feito para limitá-lo? Como chamar atenção para o que já pode ser feito?

Segundo o último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), os mais pobres e mais vulneráveis já são e continuarão sendo os mais afetados pela crise do clima e suas consequências.

Anthony Leiserowitz, diretor programa da Universidade de Yale (Estados Unidos) sobre Comunicação das Mudanças Climáticas concorda com essa constatação e ressalta que embora existam “centenas de milhões de pessoas em todo o mundo” que sabem pouco ou nada sobre as mudanças climáticas, especialmente nos países mais vulneráveis e em desenvolvimento, a maioria delas estão bem cientes das consequências locais desse problema, principalmente por causa do aumento de eventos extremos.

Mas como enfatizar a importância das ações imediatas necessárias para lidar com a crise climática agora?

Barry Smit, professor de geografia da Universidade de Guelph no Canadá e um dos principais especialistas em pesquisas sobre os impactos humanos das mudanças climáticas, diz que é preciso não apenas informar as pessoas sobre os fatos, mas fazer com que elas entendam a realidade que a modificação humana do clima está causando.

Já Txai Surí, 25 anos, uma jovem ativista indígena do povo Paiter Suruí, também diz que essa comunicação precisa ser feita de forma simples. O problema é que esse não é um trabalho fácil, pois os indígenas, por exemplo, não se comunicam de uma forma científica ao discutir o que está acontecendo na Amazônia. Por isso, para ela, a comunicação precisar abordar um método que estimule a identificação com a causa. Para ela, uma forma de fazer isso é enfatizar que nossa maior floresta tropical abriga plantas que podem curar uma variedade de doenças.

Distanciamento

Mas por que as pessoas se dizem preocupadas e não vão para ação? Para Txai, a questão-chave está no fato de que a sociedade ainda olha para a pauta ambiental como se ela estivesse muito longe de todos nós.

“E isso não só na Europa ou nos Estados Unidos, mas as pessoas do próprio Brasil também são assim. Quem está em São Paulo ou quem está no Rio de Janeiro não sabe das coisas que estão acontecendo na Amazônia tanto quanto qualquer pessoa fora do Brasil”, diz.

Essa percepção diferente ocorre, segundo Txai, porque quem sente as consequências diretas desse problema de antemão são justamente os povos originários. Ela conta que um exemplo disso é o garimpo ilegal, que não bate na porta de um morador de grandes cidades, mas que sim desafia as autoridades e invade terras indígenas, como constatou um recente estudo do MapBiomas: entre 2010 e 2020 a mineração cresceu 495% em terras indígenas.

No entanto, segundo pesquisa global recém publicada e coordenada pelo centro de pesquisa da Escola de Meio Ambiente de Yale, os impactos econômicos necessários para reduzir a mudança climática são mais percebidos por aqui. Tanto no Brasil, como no Malaui e Angola, 77% dos entrevistados falaram que são mais propensos a pensar que a ação para reduzir a mudança climática melhorará o crescimento econômico e criará novos empregos.

Mudança

A ativista Samara Assunção faz um comparativo com a pandemia e diz que embora a crise do clima possa ser tão grave quanto a causada pela covid, a emergência de saúde mostrou que é possível a sociedade mudar seus hábitos e padrões de comportamento em prol de uma causa.

“Se a gente foi capaz de provocar essas mudanças que vieram com a Covid para sobreviver, eu acredito que a gente também é capaz de mudar os nossos hábitos para que a gente não precise fazer algo para sobreviver, mas sim para viver bem”, ressalta a estudante de Energia e Sustentabilidade.

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