Domingo, 21 de Junho de 2026

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São graves as suspeitas de corrupção envolvendo o senador Jaques Wagner (BA) e o empresário Augusto Lima, ex-sócio do notório Daniel Vorcaro, do Banco Master. É obrigação das autoridades aprofundar as investigações — e, desde já, Wagner deveria se afastar da liderança do governo no Senado para que elas possam transcorrer de forma serena.

Em nova fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Wagner, a Lima e a Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner e secretário no governo da Bahia. Segundo a investigação, Lima comprou um apartamento de R$ 2,4 milhões em Salvador (onde moraria a filha de Wagner), e uma companhia vinculada a ele transferiu R$ 3,5 milhões a uma empresa do núcleo familiar de Wagner. A PF ainda encontrou US$ 55 mil e € 33,5 mil em espécie.

Até o momento, as explicações dadas para as acusações mais graves foram insuficientes. Em entrevista, Wagner afirmou que queria ajudar a filha e pediu para Lima comprar o apartamento, mediante a promessa de devolver o dinheiro quando ela vendesse a propriedade onde mora. Não apresentou prova de tais afirmações. A PF só descobriu cobranças de Sodré Martins para que Lima pagasse. Sobre o dinheiro em moeda estrangeira, Wagner afirmou ter sobrado das diárias em viagens oficiais. Segundo o inquérito, ele também se beneficiou de viagens em jatinhos e ingressos para show em Los Angeles. Outro ponto obscuro é a transferência de R$ 3,5 milhões entre empresas ligadas a Lima e Wagner.

A relação entre os dois se estreitou a partir de 2017, quando Wagner era secretário do governo Rui Costa na Bahia e comandou a privatização da Empresa Baiana de Alimentos, dona da rede de supermercados Cesta do Povo. A venda incluiu o CredCesta, cartão de crédito consignado para servidores públicos. O comprador foi um empresário espanhol ligado a Lima. Pouco depois, Lima se tornou sócio do Master, que comprou fatia do CredCesta. Em 2024, vendeu sua participação a Vorcaro.

Uma das principais dúvidas na investigação diz respeito à relação de Wagner com o ecossistema armado por Vorcaro para defender seus interesses no Congresso. O relatório da PF menciona emenda de autoria de Wagner a uma Medida Provisória beneficiando o Master na regra para a aplicação de juros sobre empréstimos consignados. Na mesma época, diz o relatório, a empresa de uma parente de Wagner começou a receber recursos do banco. A emenda não foi incluída na versão final da MP. Ainda de acordo com a PF, Wagner trabalhou pela chancela do Banco Central à compra do Master pelo Banco de Brasília e pela aprovação da emenda que buscava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, aumentando o poder de atração dos papéis sem lastro vendidos por Vorcaro.

Wagner tem direito à presunção de inocência, mas precisa prestar esclarecimentos mais convincentes. Como há muitas dúvidas, é imprescindível que as instituições continuem a fazer seu trabalho. Nesta semana, a PF convocou mais de cem policiais que assessoravam órgãos públicos para retornar a seus postos. Pelo menos excetuou da medida os que auxiliam o Supremo. Tirá-los de lá seria um escândalo — uma interferência no trabalho do Judiciário, bem no momento em que investigações atingem o partido do governo. Com informações do portal O Globo.

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