Sábado, 15 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de agosto de 2026
Um inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apura se o senador Weverton Rocha (PDT- MA) atuou para tentar atrapalhar as investigações de um assassinato ocorrido em 2022 no Maranhão. A suspeita é que ele tenha tentado influenciar um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Polícia Federal (PF) localizou no celular do senador contatos com o ministro Humberto Martins, do STJ, que era relator do homicídio porque havia indícios de envolvimento no caso de um integrante do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), que tem foro especial perante o STJ (entenda o caso mais abaixo).
O ministro Humberto Martins disse que, em razão do processo tramitar sob segredo de justiça, não vai comentar.
O senador Weverton Rocha afirmou que o caso é “forçação de barra”. “Eu repudio total e vou ficar com o foco na minha campanha”, afirmou o senador.
Em 2024, a Justiça maranhense condenou Gilbson Cutrim Soares Júnior pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho.
As investigações iniciais, feitas pela Polícia Civil do Maranhão, concluíram que Gilbson Júnior matou o empresário após um desentendimento pessoal. Mas, posteriormente, surgiu a suspeita de que o motivo era a divisão de propinas no estado, em um esquema que envolveria o grupo do governador Carlos Brandão.
Um sobrinho do governador, Daniel Brandão, que hoje é presidente do TCE-MA, teria participado da reunião em que houve um desentendimento sobre a divisão das propinas que acabou com Gilbson Júnior baleando o empresário João Bosco.
Essa informação, segundo apurações posteriores da PF, foi omitida da investigação inicial feita pela Polícia Civil.
A PF pediu que Gilbson Júnior, que estava preso no Maranhão, fosse transferido por correr risco no estado. Em junho de 2025, o ministro Humberto Martins decidiu pela transferência para a Penitenciária Federal de Brasília.
“A análise do material extraído do aparelho celular de Weverton Rocha revelou a existência de comunicações diretas com o Ministro do STJ, Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25/01/2023 e 04/10/2025. De acordo com a análise, esses contatos ocorreram por meio de diferentes canais, sendo identificadas mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias, a partir dos terminais vinculados a ambos”, afirmou a PF.
A PF disse que um dos contatos entre Weverton e o ministro Humberto Martins ocorreu no dia 2 de junho 2025, data da transferência de Gilbson Júnior. Segundo a PF, depois da transferência de presídio, o ministro não fez mais nenhuma movimentação e o processo ficou parado.
A suspeita é que o senador Weverton tenha atuado, junto com outros investigados, para evitar que as investigações alcançassem o grupo político e familiares do atual governador do estado Carlos Brandão.
O senador é investigado no inquérito no STF. O ministro Humberto Martins não é alvo do STF. Weverton Rocha reclamou do fato da investigação ser conduzida pela Suprema Corte.
“Advogados fazem uma petição em cima de algum inquérito, algum processo que já existia no Supremo, e se direciona um relator, que é o atual relator […]. Aí o relator diz: ‘Não, um senador da República está nessa denúncia, então é caso do Supremo. Puxa-se para cá’. Ou seja, tirar o governador do seu foro do STJ por conta desta denúncia criada para tirar ele do STJ. E o restante cada um tire sua conclusão”, afirmou.
Caminho das investigações
O caso do assassinato saiu da esfera estadual e foi para o STJ depois que surgiram indícios de envolvimento de Daniel Brandão, por ser membro do Tribunal de Contas.
Depois, seguiu para o STF porque a defesa do executor, Gilbson Júnior, apontou suspeitas contra o senador Weverton Rocha. Como parlamentar federal, ele tem foro no Supremo. O processo foi sorteado para o ministro Flávio Dino relatar em outubro de 2025.
No mês seguinte, o jornalista Luís Pablo, baseado no Maranhão, publicou as reportagens sobre Dino, cujas informações teriam partido do investigado Raimundo Cutrim. É nesse contexto que Dino entende ter sido ameaçado.
Weverton já havia alvo de busca e apreensão em outra investigação, a Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS. Como seu telefone celular tinha sido apreendido, o ministro André Mendonça, relator do caso do INSS, compartilhou com Dino as mensagens apreendidas. Foram então encontrados os contatos de Weverton com o ministro do STJ Humberto Martins. Com informações do portal G1.