Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de setembro de 2026
Enquanto conclui mais um rescaldo de evento climático, o Rio Grande do Sul está diante de inúmeros desafios. Um dos principais deles é duplo: abrir um novo ciclo de desenvolvimento ao mesmo tempo em que cria infraestruturas que tragam mais resiliência aos efeitos do clima. Essa foi a tônica do Sergs Debates: Infraestruturas para o RS, realizado nesta quarta-feira (23), na sede da Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs), em Porto Alegre.
O estado precisa voltar seus olhos para o futuro e definir o que será necessário para sustentar o desenvolvimento, aumentar a competitividade e preparar o território para os próximos anos. Para além de reconstruir o que foi perdido, técnicos de diversas áreas como saneamento, meio ambiente, construção civil, infraestrutura e projetos especiais se reuniram à mesa levantando ideias sobre o que o Rio Grande do Sul precisa construir, modernizar e transformar.
“Mais uma vez, promovemos uma discussão essencialmente técnica, plural e apartidária”, avaliou o presidente da Sociedade de Engenharia, Leonardo Treiguer. “Podemos dizer que estamos honrados de contribuir para trazer à tona, a partir de uma visão baseada em dados e evidências concretas, projetos de futuro que orientem políticas públicas prioritárias para o nosso estado se desenvolver, pensando na economia, no ambiente e nas pessoas”, afirmou.
Debates e discussões
O diretor do Departamento de Energia da Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), Rodrigo Hughenin, projetou ainda para este ano um estudo que vai mapear todo o Rio Grande do Sul, suas necessidades e projetos. “Um dos pontos mais importantes é o sistema de transmissão de energia, que pode ser um desafio – e um gargalo. O objetivo do estudo é podermos dar subsídios para um planejamento mais robusto, sem invadir a seara dos órgãos responsáveis pelo setor”, afirmou.
Já o secretário extraordinário de Projetos Especiais de Porto Alegre, Bruno Vanuzzi, falou sobre o saneamento básico da capital no contexto do projeto de concessão. Segundo ele, 98% da população tem acesso à água tratada e de 56% a 59% ao esgoto; e 21% dos ramais não pagam a fatura há 12 meses. “Para universalizar só o esgoto, seriam necessários 30 anos do nível atual de investimentos do Dmae”, projetou. Vanuzzi apresentou também necessidades de adequações das estações, para recuperar danos e torná-las mais resilientes.
Para o vice-presidente da Fiergs e coordenador do Conselho da Construção Civil da Entidade (Consic), Claudio Teitelbaum, “a engenharia trabalha com a capacidade de transformar as necessidades em soluções concretas”. Ele elencou uma série de prioridades que permeiam políticas de estado, como incorporar proteção climática ao planejamento do desenvolvimento, entender o conceito de funcionamento e as especificidades do território, além de dar condições logísticas e de confiabilidade para atrair e permitir a instalação de novos empreendimentos.
O diretor executivo de Operações da Corsan, José João de Jesus da Fonseca, o coordenador do Grupo Temático de Logística do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Fiergs, Sergio Luiz Klein, e o diretor técnico da Fepam, Gabriel Simioni Ritter, também participaram do evento, que teve a mediação da conselheira da Sergs, Daniela Cardeal.
O Sergs Debates integra a programação permanente da Sociedade de Engenharia e tem patrocínio do Banrisul, com temas voltados à discussão de questões estratégicas para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul.