Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de setembro de 2026
A inteligência artificial está acelerando uma transformação que já vinha acontecendo no mercado de trabalho: conhecimentos e habilidades envelhecem cada vez mais rápido. Nesse cenário, mais importante do que dominar uma competência específica pode ser desenvolver a capacidade de continuar aprendendo ao longo da carreira.
O desafio já aparece nos números. Segundo a última edição do Relatório sobre o Futuro dos Empregos, do Fórum Econômico Mundial, cerca de 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar até 2030. O levantamento também aponta que 63% dos empregadores identificam a lacuna de qualificação como o maior obstáculo para a transformação dos negócios.
Para Mariana Achutti, CEO da Newnew e especialista em educação corporativa e futuro do trabalho, o cenário exige uma mudança de perspectiva. Se antes a carreira podia ser construída a partir de ciclos mais longos de formação e especialização, hoje o aprendizado precisa acompanhar a velocidade das transformações do mercado.
“Durante muito tempo, fomos educados para aprender uma profissão e acumular conhecimento ao longo da carreira. Esse modelo está mudando. Em um mercado em que novas tecnologias e novas formas de trabalhar surgem o tempo todo, talvez a habilidade mais importante seja justamente saber aprender de novo”, afirma Mariana.
A discussão ganha ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial. À medida que novas ferramentas modificam processos, tarefas e funções, o desafio para os profissionais deixa de ser apenas aprender a utilizar uma determinada tecnologia. É preciso desenvolver repertório e autonomia para identificar o que precisa ser aprendido, rever práticas que perderam sentido e incorporar novos conhecimentos.
Nesse contexto, o conceito de Lifelong Learning, ou aprendizado ao longo da vida, deixa de estar associado apenas à realização de cursos e passa a fazer parte da própria forma de trabalhar. A última edição do relatório do Fórum Econômico Mundial reforça a importância de habilidades humanas em meio às transformações tecnológicas, com competências como pensamento analítico, liderança, colaboração, curiosidade e aprendizado contínuo ganhando relevância.
“Aprender continuamente não significa fazer um curso atrás do outro. Significa desenvolver curiosidade, capacidade crítica e abertura para rever aquilo que você já sabe. O conhecimento continua importante, mas a capacidade de renová-lo passa a ser tão relevante quanto”, explica Mariana.
A mudança também coloca uma responsabilidade sobre as empresas. Se aprender passa a fazer parte do trabalho, o desenvolvimento profissional não pode ser tratado apenas como responsabilidade individual. As organizações precisam criar condições para que seus profissionais tenham tempo, espaço e oportunidades para experimentar, trocar conhecimento e desenvolver novas competências.
“Não dá para exigir que as pessoas acompanhem uma transformação tão rápida sem criar condições para que elas aprendam. Empresas que querem profissionais preparados para o futuro precisam incorporar o desenvolvimento à rotina, e não tratá-lo como algo que acontece eventualmente”, afirma Mariana.