Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

Home Rio Grande do Sul Serviços de saúde do RS recebem diretrizes de atuação para casos suspeitos de contágio pelo vírus ebola

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A Secretaria Estadual da Saúde (SES) emitiu aos serviços do setor no Rio Grande do Sul uma nota técnica com orientações sobre procedimentos de detecção precoce, investigação epidemiológica, notificação e controle de eventuais suspeitas de doença pelo vírus ebola (DVE). Trata-se de iniciativa em caráter preventivo, já que ainda não há casos confirmados no Brasil.

Uma das diretrizes é de, ao ser identificado quadro compatível com o da doença, a situação deve ser comunicada imediatamente a vigilância epidemiológica municipal. Esta será então responsável por articular ações com autoridades estaduais para organizar o manejo do paciente.

Além disso, o paciente precisa ser imediatamente isolado e o acesso restrito pela equipe assistencial a esse ambiente, até a chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O passo seguinte é a transferência imediata para hospital de referência.

Outro item ressaltado no documento é a identificação dos principais pontos com potencial para entrada da doença no Estado. Na lista estão o Aeroporto Internacional Salgado Filho e Porto Alegre, o porto de Rio Grande (Litoral Sul) e os postos de controle da Fronteira-Oeste, onde o mapa gaúcho faz divisa com Argentina e Uruguai.

Recentemente, o Brasil teve descartadas duas suspeitas de ebola, doença até hoje sem registro no País. A primeira foi no Rio de Janeiro, onde um indivíduo procedente de Uganda (África) apresentou sintomas de alerta mas acabou diagnosticado com malária. Já a segunda teve como protagonista um viajante que retornou da República Democrática do Congo para São Paulo com sinais compatíveis, mas exames levaram à conclusão de que o caso se tratava de meningite.

“Embora não tenhamos casos em investigação no Brasil, é preciso monitorar a situação para mitigar os riscos, padronizar ações de saúde e, se necessário, responder de forma coordenada e ágil”, ressalta o diretor-adjunto do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) da SES, Marcelo Vallandro.

Saiba mais

Com mortalidade de 50% a 90% dos casos, a doença pelo vírus ebola é uma infecção aguda e que se caracteriza por febre hemorrágica severa. Descoberto em 1976 perto do rio Ebola, na República Democrática do Congo (região central da África), o patógeno destrói o sistema imunológico e os vasos sanguíneos.

O vírus reside originalmente em animais silvestres de floresta equatorial, sobretudo morcegos frugívoros. Sua transmissão inicial ocorre quando humanos caçam, manipulam ou consomem carne de animais infectados. O contágio entre humanos se dá estritamente pelo contato direto indivíduos ou superfícies onde haja sangue, secreções, saliva, vômito ou outros fluidos corporais de infectados – não existe transmissão pelo ar.

Já a incubação (período entre a infecção e o surgimento dos sintomas) varia de dois a 21 dias. Uma pessoa infectada só transmite o vírus após manifestar os primeiros sinais, que surgem subitamente como forte gripe e evoluem para febre alta, cansaço extremo, dores de cabeça, garganta e musculares intensas.

Depois é a vez de episódios severos de vômito, diarreia e dores abdominais, seguidas de forte reação inflamatória, com danos às células que revestem os vasos sanguíneos, resultando erupções cutâneas, comprometimento das funções renais e hepáticas, hemorragias internas e externas. Essa combinação de fatores tende a causar falência múltipla de órgãos.

Já no que se refere a prevenção e tratamento, existem vacinas são utilizadas para conter o avanço de surtos em regiões afetadas. Pacientes infectados recebem cuidados avançados, tais como hidratação venosa agressiva para repor fluidos e regulação da pressão arterial, além do uso direcionado de anticorpos monoclonais específicos contra o vírus.

Quando um caso é confirmado, adota-se o isolamento imediato do doente e uso de equipamentos de proteção individual por profissionais de saúde. A evolução para óbito exige protocolos rígidos de sepultamento, similares aos adotados na época da pandemia de coronavírus.

(Marcello Campos)

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