Domingo, 16 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 1 de agosto de 2024
A União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) afirmou nessa quarta-feira (31), ver conflito de interesses na indicação do delegado da Polícia Federal (PF) José Fernando Moraes Chuy para o cargo de corregedor-geral da agência.
Isso ocorre, segundo a Intelis, porque “uma vez que o indicado é policial federal e oficial da reserva do Exército, e a 4ª fase da Operação Última Milha aponta policiais federais e um militar como figuras chave do esquema. O indicado também não possui experiência em matéria correcional e nem em legislação afeita à Inteligência de Estado, o que levanta a necessidade de justificativa para o que parece violar o princípio da impessoalidade”.
A Intelis diz ainda causar estranheza a atual corregedora ser retirada do cargo a que poderia ser “reconduzida quando as autoridades que possuem investigação em curso sobre a estrutura paralela que parasitou a Abin expressam a total cooperação da corregedoria do órgão no caso”.
Chuy foi indicado para assumir o posto de corregedor-geral em substituição a Lidiane Souza dos Santos, que permanece no cargo até o último dia de agosto. Chuy é experiente e respeitado na PF, com passagens por áreas estratégicas. Também atuou na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando Moraes ocupava a presidência da Corte.
Ele é doutor em direito e segurança pela Universidade Nova de Lisboa, mestre em criminologia e ciências criminais pelo Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna de Portugal. Chuy também é professor na Academia Nacional de Polícia, onde participa do grupo rede de pesquisa em terrorismo, contraterrorismo e crime organizado.
Em 2020, delegado federal apresentou estudo sobre o ‘novo terrorismo’, expressão que, segundo ele, acabou sendo popularizada após o ataque às torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001, em Nova York, informou a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, à época. A análise de Chuy apresenta as consequências e incongruências relacionadas à priorização do uso da força militar diante do fenômeno, especialmente o desenvolvimento de uma segunda geração de líderes terroristas por meio da radicalização virtual.
O bacharel em direito compõe o quadro de funcionários da PF desde 2006. Ele foi chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de maio de 2023 a junho deste ano, na gestão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Antes, em 2021, o delegado chefiou a Coordenação de Enfrentamento ao Terrorismo da Diretoria de Inteligência Policial, subordinado ao Ministério da Justiça.
Moraes escreveu o prefácio do livro do delegado, “Operação Hashtag – A 1ª condenação de terroristas islâmicos na América Latina”, publicado em 2018.