Terça-feira, 21 de Julho de 2026

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A função de síndico, muitas vezes vista como burocrática, tornou-se estratégica no mercado imobiliário brasileiro. Em 2026, o país conta com 327 mil condomínios, que abrigam cerca de 39 milhões de moradores. Esse universo movimenta bilhões em manutenção, segurança e serviços, tornando a gestão condominial um elo direto com a valorização dos imóveis.

A importância do síndico

O síndico é responsável por administrar recursos, garantir a manutenção predial, conduzir assembleias e representar legalmente o condomínio. Uma gestão eficiente impacta diretamente na valorização dos imóveis, na redução de conflitos e na qualidade de vida dos moradores. Em condomínios de grande porte, a função se aproxima da de um gestor empresarial, exigindo conhecimento em finanças, legislação, tecnologia e liderança.

Profissionalização em expansão

A gestão condominial deixou de ser uma atividade exercida apenas por moradores para se consolidar como uma profissão em crescimento. Pesquisa inédita do Instituto Datafolha, divulgada em dezembro de 2025, mostra que 46% dos síndicos brasileiros vivem exclusivamente da atividade e que 72% buscaram capacitação técnica específica.

Segundo o Censo Condominial 2024/25, a presença de síndicos profissionais aumentou mais de 300% na última década. Em 2014, apenas 6% dos condomínios eram administrados por profissionais; em 2024, esse percentual cresceu significativamente. O Rio Grande do Sul representa hoje o quarto maior mercado do país, com 36.899 condomínios e 1.027 síndicos profissionais registrados, consolidando-se como polo da profissionalização.

Tipos de síndico

Síndico morador (local): eleito entre os condôminos, geralmente recebe remuneração simbólica ou isenção da taxa condominial.

Síndico profissional: contratado, com formação específica e remuneração definida.

Diferenças entre síndico local e profissional

Síndico morador:

  • Prós: proximidade com vizinhos, custo reduzido.
  • Contras: falta de preparo técnico, risco de parcialidade.

Síndico profissional:

  • Prós: gestão imparcial, domínio de legislação e tecnologia, valorização patrimonial.
  • Contras: custo mais elevado, menor proximidade com moradores.

Obrigações legais e responsabilidades

  • O síndico é regido pelo Código Civil (artigos 1.347 a 1.351) e pela Convenção Condominial. Entre suas obrigações estão:
  • Convocar assembleias e executar suas deliberações.
  • Representar o condomínio ativa e passivamente em juízo.
  • Prestar contas da gestão anualmente.
  • Zelar pela conservação e segurança das áreas comuns.
  • Cumprir e fazer cumprir a convenção e o regimento interno.

Essas obrigações trazem responsabilidades diretas:

  • Civis: má gestão financeira, omissão em manutenção que cause danos ou acidentes.
  • Criminais: negligência em segurança predial, acidentes por falta de manutenção, apropriação indébita de recursos.
  • Administrativas: multas e sanções previstas em convenções e legislações municipais.

Capacitação e remuneração

  • No RS, o Senac-RS oferece cursos de 160 horas sobre legislação e gestão de conflitos. O programa Síndico Diamante, em Porto Alegre, foca em sistemas prediais, obras e estratégias digitais.
  • Em 2026, o Brasil registra mais de 500 mil síndicos em atividade. A média salarial nacional é de R$ 1.520, mas síndicos CLT podem receber R$ 2.977,58, chegando a R$ 5.452,55 em condomínios de grande porte.
  • Nordeste: média de R$ 1.663; Maranhão e Bahia acima de R$ 2.300.
  • Sul: média de R$ 1.427; Santa Catarina R$ 1.923; RS R$ 1.286.

Liderança pioneira no RS

Um nome de destaque na profissionalização da gestão condominial é Mauren Gonçalves, com 40 anos de atuação no segmento. Aos 50 anos, deixou grandes administradoras como Condor, Predial Vitória e Auxiliadora Predial para abrir sua própria empresa de consultoria, que em 2026 completa 14 anos.  Reconhecida como a segunda sindica profissional  do Brasil. É fundadora e atual presidente da Associação de Síndicos Profissionais do RS, entidade que celebra uma década de atuação este ano.

O modelo implementado no RS tornou-se referência nacional e já inspirou a criação de associações no Piauí, Maranhão e Ceará, além de incentivar a formação da Assosíndico de Manaus. Mauren também é criadora do Fórum Nacional de Síndicos Profissionais do RS, que chega à 5ª edição em agosto de 2026. Sua trajetória reforça o papel do RS como protagonista na consolidação da profissão.

Perspectivas

A tendência é clara: condomínios de médio e grande porte migram para a gestão profissional, buscando eficiência e valorização patrimonial. A figura do síndico deixa de ser apenas administrativa e passa a ser estratégica e técnica, conectando o mercado imobiliário à vida cotidiana de milhões de brasileiros. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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