Sábado, 27 de Junho de 2026

Home Política Sócio de empresa ligada à produtora do filme “Dark Horse” é apontado pelo Ministério Público como integrante do PCC e está preso por feminicídio em São Paulo

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O empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, sócio de uma empresa vinculada à produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é apontado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O nome de Santos aparece no contexto das investigações envolvendo a produtora do filme. A empresa funciona no mesmo endereço do Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama, alvo de uma operação da Polícia Civil que apura suspeitas de irregularidades em um contrato de R$ 157 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi gratuito na periferia da capital – segundo cálculos da polícia.

Até dezembro de 2025, Alex Leandro Bispo dos Santos era sócio único da empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, uma das três empresas contratadas pela ONG de Karina Gama para instalar os pontos de wi-fi nas periferias das capital paulista.

O ICB tinha um contrato inicial de R$ 12 milhões firmado entre a ONG de Karina e a empresa.

Atualmente, Santos está preso preventivamente sob acusação de feminicídio. Ele é suspeito de ter matado a companheira, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, que morreu após cair do 10º andar de um prédio na Vila Andrade, na Zona Sul de São Paulo, em novembro de 2025.

Segundo o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, Santos tem uma extensa ficha criminal e já cumpriu pena em duas unidades prisionais paulistas onde estão detidos integrantes da cúpula do PCC: os presídios de Mirandópolis e Presidente Venceslau, no Oeste do estado.

Levantamento feito pela reportagem no arquivo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que Santos é citado em mais de 60 processos judiciais.

O número não significa, necessariamente, que ele seja réu em todas as ações, mas indica que figura de alguma forma nos processos. Muitos deles são de natureza criminal.

Entre as acusações que aparecem nos registros estão crimes de roubo, extorsão mediante sequestro e feminicídio.

Há também ações ajuizadas pela própria defesa, como pedidos de revisão criminal para anular condenações ou decisões anteriores, o que contribui para ampliar o total de processos em que seu nome aparece.

Contrato sob suspeita
O contrato entre o ICB e a Secretaria de Inovação e Tecnologia da gestão Ricardo Nunes (MDB) foi assinado em junho de 2024. Na época, a entidade de Karina da Gama não tinha nenhuma experiência na instalação desse tipo de tecnologia na cidade e terceirizou a instalação e gestão dos pontos para várias empresas, como Ultra IP Tecnologia e Serviços LTDA, Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. e Complexsys Soluções Integradas LTDA.

Em maio, o  portal g1 já tinha identificado que o primeiro contrato assinado entre a ONG de Karina com a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. era de R$ 12 milhões, logo na sequência dela ter sido contratada pela gestão Nunes para tocar o serviço na cidade.

O dono único da empresa, na época, era justamente o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, que está preso desde fevereiro acusado de feminicídio da companheira.

No primeiro contrato assinado com a ONG, em 2024, o nome do empresário como representante da companhia aparece apenas como Alex, sem sobrenome, CPF ou identidade.

A empresa foi responsável por instalar mais de 900 pontos de internet nas favelas da cidade, segundo a prestação de contas do Instituto Conhecer Brasil, recebendo mais de R$ 3,8 milhões, segundo as notas apresentadas para a Prefeitura de São Paulo pela entidade até o final de dezembro de 2025.

A denúncia sobre este contrato foi feita pelos portais The Intercept Brasil e Metrópoles em dezembro de 2025, quando Bispo ainda estava sob investigação pela Polícia Civil sobre o suposto feminicídio.

Após a denúncia, em janeiro, a empresa Favela Conectada deixou de ter Alex Leandro como sócio único e passou para o controle de Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, segundo o registro da Junta Comercial Comercial de SP (Jucesp).

Tatiane mora no mesmo endereço de Alex, na Rua Ernesto Paglia, na região do Butantã, Zona Oeste de São Paulo, de acordo com a própria Jucesp.

Caso do feminicídio

O Tribunal de Justiça de São Paulo tornou Alex Leandro Bispo dos Santos réu pela morte de Maria Katiane Gomes da Silva. Para o Ministério Público, a jovem foi vítima de homicídio, e não de suicídio.

De acordo com a denúncia, o casal discutiu em uma festa antes de retornar ao prédio onde morava. Imagens de câmeras de segurança registraram o empresário agredindo a companheira e, em seguida, arrastando-a de volta para o apartamento enquanto a segurava pelo pescoço. Pouco depois, a mulher caiu do décimo andar do edifício.

Em depoimento à polícia, Alex admitiu ter agredido a mulher, afirmando que “perdeu a cabeça” e deu “uns tapas” na esposa, mas negou tê-la matado. Segundo sua versão, Maria Katiane foi até a sacada e se jogou. Com informação do portal G1.

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