Terça-feira, 16 de Abril de 2024

Home Copa do Mundo 22 Sonho de Tite, trabalho em clube europeu fica mais longe com queda do Brasil nas quartas de final da Copa

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A eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, diante da Croácia, tende a atrapalhar os planos do técnico Tite de abrir portas nas principais ligas do futebol europeu. Antes do Mundial, Tite disse em entrevistas ter recebido sondagens de Real Madrid e Paris Saint-Germain durante seu trabalho com a Seleção Brasileira, e indicou que via com bons olhos a chance de trabalhar na Europa depois que encerrasse seu ciclo com o Brasil.

O desempenho nesta Copa, no entanto, pouco contribuiu para o “portifólio” que o treinador tem para apresentar ao mercado europeu, tampouco para transformar a imagem desgastada de técnicos brasileiros no continente.

Com pontos positivos na gestão do grupo e no retrospecto com a seleção antes da Copa de 2022, mas sem conseguir apresentar variações táticas com a velocidade que o torneio exige, Tite se despediu do Catar com algumas interrogações similares às deixadas na queda em 2018, na Rússia.

“Na Espanha, houve muita incompreensão no ciclo pré-Copa com a demora de Tite para convocar Vinicius Jr., e também estranhamento com as dúvidas sobre a titularidade de um jogador que havia sido um dos principais da temporada europeia pelo Real Madrid. No jogo contra a Croácia, Tite foi muito criticado pelos espanhóis por tirar Vini tão cedo”, observou o jornalista brasileiro Fernando Kallás, correspondente da agência Reuters na Espanha e em Portugal.

“O trabalho do treinador brasileiro é um pouco ingrato no sentido de que os europeus dão muito mais atenção à qualidade dos jogadores. A chance que Tite tinha de abrir portas no futebol europeu era se vencesse a Copa”, completou o jornalista.

Imagem ruim

Segundo Kallás, a imagem de treinadores brasileiros na Espanha é “muito ruim” desde o fracasso de Vanderlei Luxemburgo ao assumir o Real Madrid em 2005, o que também reduz as possibilidades de recolocação de técnicos do Brasil na Europa. A experiência mais recente de um brasileiro à frente de um dos principais clubes das grandes ligas europeias foi em 2019, com o ex-lateral Sylvinho, demitido do Lyon em menos de seis meses.

Em 2008, após conquistar o pentacampeonato mundial pelo Brasil e vindo de uma passagem de cinco anos repleta de altos e baixos pela seleção de Portugal, o técnico Felipão foi contratado pelo Chelsea, mas também foi dispensado com menos de um ano no cargo.

“Tite ainda é pouco conhecido no futebol inglês, e se alguém decidiu usar esta Copa para conhecê-lo, não deve ter saído com boa impressão. A imprensa inglesa exaltou, em alguns momentos, um resgate da exuberância do futebol brasileiro, como no voleio de Richarlison contra a Suíça ou na goleada sobre a Coreia do Sul, mas essa análise sempre veio acompanhada da percepção de que o Brasil ocupa hoje esse lugar, de ser eliminado em quartas de final de Copas”, apontou um jornalista brasileiro.

Comparativo

Para efeito de comparação, ele contrapôs o desempenho do Brasil à impressão positiva deixada por treinadores de outras seleções:

No fim das contas, o Brasil foi eliminado por uma Croácia que não vinha bem até então e mostrou fragilidades táticas nesse jogo. A queda do Brasil causou surpresa mais pelo que se esperava que a seleção poderia exibir do que como uma zebra. Se tem algum treinador mostrando (aos clubes europeus) que vale ficar de olho nele nesta Copa, é Walid Regragui do Marrocos.

No futebol inglês, o jornalista brasileiro Fred Caldeira também acredita haver poucas portas abertas ao treinador, seja pelo retrospecto de técnicos brasileiros ou pela concorrência do mercado. O Arsenal, por exemplo, que tem como diretor esportivo o brasileiro Edu Gaspar, parceiro de Tite nos tempos de Corinthians e na seleção brasileira até a Copa de 2018, é o atual líder da Premier League, a primeira divisão inglesa. O clube renovou recentemente o contrato do técnico espanhol Mikel Arteta até 2025, em meio às boas atuações da equipe, onde jogam alguns dos jogadores já convocados por Tite para a seleção, como os atacantes Gabriel Jesus e Gabriel Martinelli.

No mercado de Portugal, país de alguns dos treinadores de maior sucesso recente no futebol brasileiro, como Jorge Jesus e Abel Ferreira – cotados, por sinal, para a seleção brasileira -, Tite também enfrenta um misto de desconhecimento e desconfiança após duas quedas consecutivas nas quartas de final da Copa, sem conseguir passar de seleções que não são vistas como integrantes da “primeira prateleira” da hierarquia do futebol internacional.

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