Domingo, 14 de Junho de 2026

Home em foco Suspensão da vacina da dengue cria incerteza sobre ritmo de imunização em massa

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A decisão de interromper o uso da vacina da dengue fabricada pelo Instituto Butantan criou incertezas sobre o ritmo do plano de imunização em massa contra a doença. A suspensão ocorreu após o registro de 42 casos de reações adversas severas e duas mortes.

Diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti disse durante o anúncio que não há dúvidas sobre a eficácia da vacina e que a medida foi tomada por precaução, para avaliar os casos com “sinais de alerta” após a aplicação de mais de 500 mil doses.

O ministério da Saúde enfatizou que os eventos são raros, correspondem a 0,008% das doses aplicadas, e que não está certo o vínculo entre o uso da vacina e as duas mortes.

A Butantan-DV é a principal aposta do SUS (Sistema Único de Saúde) para proteger a população em uma estratégia de longo prazo. Além de ser aplicada em dose única, existe a expectativa de ampliar o contrato, que prevê entrega de 3,9 milhões de doses até o fim de 2027, para cerca de 60 milhões de vacinas.

O cenário de vacinação em massa, porém, depende da conclusão da análise sobre possíveis reações adversas do imunizante. A Saúde afirma que não há prazo para apresentar os resultados, enquanto o Butantan reconhece que irá reavaliar o ritmo de produção das doses.

“O tempo é o tempo necessário para que se conclua a investigação. Por isso a gente não coloca um prazo. Vamos cobrar diariamente o que está acontecendo [na investigação]”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

“Quanto mais rápido estiver concluída a investigação, com definição sobre uso da vacina, melhor para nós”, disse.

Padilha afirmou que o Butantan continuará a pesquisa clínica que a Anvisa exige para autorizar a vacinação no público com 60 anos ou mais. Hoje a vacina tem registro do órgão regulador para o grupo de 12 a 59 anos.

O imunizante foi aprovado pela Anvisa no fim de novembro de 2025. No mês seguinte, o Ministério da Saúde assinou a compra de R$ 367,9 milhões por 3,9 milhões de doses.

Vacina japonesa

Agora, o SUS terá apenas a Qdenga para a imunização contra a dengue. Em 2024, o ministério comprou cerca de 10 milhões de doses, por R$ 1,3 bilhão, da farmacêutica Takeda, que tem sede no Japão e é destinada ao público de 4 a 60 anos.

Padilha afirma que cerca de 8 milhões de vacinas já foram entregues e que o SUS deve receber mais 9 milhões de doses em 2026 e no próximo ano. A vacina da Takeda é destinada ao público de 4 a 60 anos.

As vacinas da Takeda e do Butantan custaram cerca de R$ 95 ao SUS, mas o ministério vê duas grandes vantagens no modelo desenvolvido no laboratório paulista: a imunização se dá com a aplicação de uma dose, enquanto a concorrente exige duas vacinas, e a parceria com a WuXi promete alavancar a produção.

A busca pela imunização em massa ganhou maior prioridade no SUS após a explosão de casos da dengue em 2024, quando foram registradas 6.321 mortes — em 2026, o ministério soma 177 mortes.

O número de 2024 se converteu em crise para o governo Lula (PT) e pressionou a então ministra Nísia Trindade. Em agosto daquele ano, ela afirmou que a principal aposta do SUS era a vacina do Butantan. “A vacina é uma estratégia que vamos continuar a utilizar, mas não é a principal estratégia para 2025. Pode ser que venha a ser para 2026, a depender do desenvolvimento da vacina do Butantan”, disse à época. (As informações são da Folha de S. Paulo)

 

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