Quarta-feira, 15 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 14 de julho de 2026
A última reunião de alto nível entre Brasil e Estados Unidos antes da decisão sobre o tarifaço terminou sem acordo nessa terça-feira (14). Segundo fontes ouvidas pelo Radar Econômico, o governo brasileiro já trabalha com a expectativa de que a aplicação da sobretaxa de 25% seja recomendada à Casa Branca. A principal dúvida agora não é mais se a punição será proposta, mas quando começará a valer.
A aposta predominante é que Washington anuncie a tarifa e estabeleça sua entrada em vigor para uma data posterior, possivelmente dentro de 30 dias. Esse intervalo manteria a pressão sobre o governo Lula, mas preservaria uma última janela para negociar concessões, exceções e até uma solução bilateral antes do início efetivo da cobrança.
A possibilidade de um prazo maior, de até 180 dias, também é admitida, mas ainda desperta dúvidas dentro do governo. Embora a legislação americana permita o adiamento, a avaliação é que uma postergação tão longa dependeria de um sinal mais concreto de avanço nas conversas — algo que não surgiu no encontro desta terça-feira.
Participaram do encontro equipes do MDIC, do Itamaraty e da Assessoria Especial do Presidente da República. As conversas começaram em 7 de maio, quando Lula e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho para tratar das divergências comerciais entre os dois países.
Segundo o comunicado, o governo reiterou que considera injustas tanto a recomendação de uma tarifa de 25% específica contra o Brasil quanto a sobretaxa de 12,5% relacionada ao trabalho forçado, aplicável a outras 59 economias. “Nenhuma das razões apontadas na Seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas”, afirmou o MDIC.
A nota também diz que a aplicação de qualquer sobretaxa “não é o caminho” para a construção de um acordo bilateral mutuamente adequado. A frase sinaliza que, apesar do fracasso da reunião, o governo pretende manter aberta a negociação depois do anúncio americano. O MDIC confirmou ainda que o prazo para a divulgação da medida e da lista de produtos sujeitos à recomendação termina nesta q…
A ausência, no comunicado, de qualquer menção a avanço, compromisso ou nova rodada reforça a percepção de que a reunião não foi suficiente para impedir a recomendação da tarifa. O que ainda está em jogo é o prazo de vigência e o tamanho da lista de exceções.
É nessa combinação que estará o impacto real do tarifaço. Uma alíquota de 25% com cobrança adiada e uma lista ampla de produtos poupados terá efeito muito diferente de uma aplicação rápida e abrangente.
A conversa desta terça-feira, portanto, não evitou a provável punição. Serviu para deixar claro que, mesmo depois de anunciar a tarifa, Washington ainda poderá manter a porta entreaberta — desde de que o Brasil encontre algo para colocar na mesa.