Domingo, 19 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 18 de julho de 2026
A confirmação da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos passou a ser explorado pelas pré-campanhas à Presidência do PT e do PL, que trocaram acusações sobre quem foi o responsável pela decisão do presidente americano, Donald Trump. O comando do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou os ataques ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), chamado de “TariFlávio” pelos petistas, e associou a família Bolsonaro às novas tarifas. Já o senador buscou colar o anúncio a uma suposta inação do governo brasileiro e classificou o petista de “Biden brasileiro”, em referência ao ex-presidente do país Joe Biden.
O tarifaço, chancelado por Trump, entrará em vigor em 22 de julho. O governo americano alegou práticas como favorecimento ao Pix, acesso ao mercado de etanol e problemas relacionados à corrupção e desmatamento no Brasil para justificar o novo tarifaço.
Horas depois do anúncio, a campanha de Lula deu início a uma espécie de força-tarefa nas redes sociais e passou a orientar a militância a relacionar a medida americana à família Bolsonaro, reforçando que o senador Flávio Bolsonaro e seus aliados atuaram contra a economia e a soberania brasileiras. O PT acusou o filho de Jair Bolsonaro de “traidor da pátria” e de atuar em favor dos Estados Unidos.
O partido e o próprio Lula, pré-candidato à reeleição, pretendem intensificar o discurso de defesa da soberania nacional e dos interesses brasileiros. Assim, passaram a mobilizar a militância para “denunciar a verdade” nas redes sociais, campo tradicionalmente com maior protagonismo da direita.
“Com o anúncio de novas tarifas de 25% do governo Trump sobre o Brasil, nossa MISSÃO É CLARA: ESPALHAR A VERDADE! Vamos mostrar a origem desse ataque à nossa soberania: a FAMÍLIA BOLSONARO e seus ALIADOS”, diz orientação divulgada no canal Porta-Voz de Lula, iniciativa para mobilizar a militância nas redes sociais e divulgar as ações e entregas do governo federal.
“Patriota de verdade defende o Brasil. A maioria do povo brasileiro já entendeu quem são os traidores da pátria. Quem torce contra o Brasil lá fora nunca vai defender o Brasil aqui dentro”, diz outra mensagem publicada.
O secretário nacional de comunicação do PT, Éden Valadares, por exemplo, disse que o “TariFlávio” é o “maior ato de traição da história política brasileira”. “A atuação da família Bolsonaro ultrapassou todos os limites da oposição política e, além de um ato de submissão aos interesses dos EUA em detrimento da soberania nacional, a postura e a atuação deliberada de Flávio Bolsonaro para que as tarifas fossem impostas por Trump confirmaram a priorização de agendas pessoais e eleitorais em vez da defesa da economia brasileira”, disse o dirigente.
Ele pontuou que Flávio Bolsonaro viajou recentemente aos Estados Unidos, após desgaste político com a perspectiva de anúncio do novo tarifaço, e protocolou pedido formal de suspensão das tarifas e não de cancelamento, “legitimando a agressão comercial”. “A subordinação foi notadamente calculada. A submissão amplamente documentada; a traição foi ineditamente registrada”, afirmou Valadares.
Na mesma linha, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse que o senador e a família Bolsonaro “têm se comportado como lobistas dos interesses dos Estados Unidos no Brasil”. Ele comentou que, na tentativa de Flávio Bolsonaro responsabilizar Lula pela imposição do tarifaço, o parlamentar revela “desespero” com o escândalo envolvendo as investigações do Banco Master “e suas ligações com Daniel Vorcaro”.
“Biden brasileiro”
Alvo de críticas, Flávio Bolsonaro, retrucou e usou as redes sociais para culpar o governo Lula pelo novo anúncio de Trump. “Lula não tem mais condições de ser o presidente do Brasil. Estamos num avião sem piloto”, afirmou o pré-candidato do PL.
“O Biden brasileiro está ranzinza, inconsequente e se tornou um perigo para a nossa nação. Quem olha pro Lula não enxerga futuro. Enxerga passado, atraso, incerteza, desconfiança, corrupção, incompetência, vingança… Chega! O Brasil tem futuro, mas não tem mais tempo a perder!”, complementou o parlamentar.
No fim de maio, em meio a desgastes políticos depois da divulgação de um pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Flávio viajou para os Estados Unidos para tentar mudar a pauta e reuniu-se com o presidente americano, em encontro com a presença do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No entanto, pouco depois da viagem, o senador desgastou-se novamente após o anúncio de um novo tarifaço pelo chefe do Executivo dos Estados Unidos. O encontro passou a ser usado pela oposição para associar a família Bolsonaro à decisão de Trump. (Com informações do Valor Econômico)