Segunda-feira, 01 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 31 de maio de 2026
Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas tenham o diagnóstico de Parkinson no mundo. Para elas, a ciência avançou a ponto de oferecer de opções farmacológicas e cirurgicas que são capazes de impactar nos sintomas deflagrados pela doença. Ou seja, dores, dificuldades de locomoção, tremores, entre outros efeitos que, progressivamente, acompanham o paciente. Uma inovação que parte de células-tronco reprogramadas aprovada neste ano no Japão, porém, pode significar um passo da ciência em direção à maior lacuna na lida com a doença: tentar barrar a progressão (até aqui) inevitável desse disturbio neurológico.
Testado em sete pacientes até agora e aprovado condicionalmente nos próximos sete anos, o tratamento tenta aplacar o impacto da morte de neurônios dopaminérgicos que estão no centro do mecanismo do problema de saúde. Embora os resultados tenham sido inicialmente positivos, (os pesquisadores indicaram que tremores, por exemplo, reduziram) ainda é preciso avançar mais para saber se, de fato, o novo procedimento tem resultado sustentado e reduz a velocidade, ou dá um “stop”, no desenvolvimento da doença.
A aprovação, apesar de condicional, marca a primeira vez em que ocorre um sinal verde do tipo para uma terapia celular, mirando o Parkinson. A indicação aprovada pelo Japão mira nos pacientes com casos resistentes, que não apresentam boa evolução com os medicamentos disponíveis até aqui.
“Os pacientes tiveram uma melhora, mas (os pesquisadores) ainda vão melhorar a técnica. Eles vão continuar acompanhando os pacientes, reportar os dados ao governo e seguir observando a segurança. Esse tratamento é um passo importante porque deu certo. Uma tentativa anterior, no Canadá, as células se reproduziram demais”, diz Rubens Cury, médico neurologista do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo. Segundo ele, não é a primeira vez que se tenta células-tronco para Parkinson, “mas é a primeira vez que deu certo”.
Outra pesquisa que avança para aplacar os efeitos do Parkinson é desenvolvida pela biotecnologia BlueRock, adquirida pela Bayer em 2019. A empresa também desenvolve um tratamento com células-tronco adaptadas em laboratório para se tornarem neurônios capazes de produzir dopamina, um mecanismo que — esperam os desenvolvedores— seja capaz de mudar o curso da doença. Ao chegarem ao cérebro, vale dizer, essas células-tronco já são “praticamente” transformadas em neurônios, não estão mais se replicando.
Nesse momento, o estudo clínico está na fase 3 de desenvolvimento — tradicionalmente o último antes de se realizar um pedido às agências reguladoras. Essa etapa, contudo, está bem no começo e deve ainda levar alguns anos para que os achados científicos dessa pesquisa, que deve recrutar cerca de 100 voluntários nessa última fase, sejam conhecidos e divulgados.
“Vamos acompanhar os pacientes por cerca de cinco anos após a cirurgia, cada um deles. O que acompanhamos até agora (em fases anteriores) parece indicar um efeito duradouro ao longo de três anos. Seja em relação à segurança e tolerabilidade, seja à eficácia. Tudo sugere um bom perfil de benefício-risco por, pelo menos, três anos”, informou Gabriel Belfort, vice-presidente da BlueRock Therapeutics.
Revoluções
Um dos primeiros marcos do tratamento do Parkinson foi a aplicação da droga chamada levodopa. O medicamento passou a funcionar como um repositor de dopamina no cérebro, que seria capaz de aliviar sintomas motores da doença no organismo.
Há um motivo pelo qual a dopamina aparece como ponto chave nos novos tratamentos para a doença. Isso acontece porque o Parkinson é caracterizado pela redução progressiva desse neurotransmissor, responsável (entre outras coisas) por controlar movimentos fundamentais, como falar, alimentar-se, escrever, entre outros. O aparecimento da doença também está ligado ao aparecimento de problemas como ansiedade, depressão, distúrbios do sono e dores. (As informações são de O Globo)