Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026

Home Mundo Terremoto, avalanche e destruição: entenda o efeito em cadeia por trás da pior tragédia em dez anos no Nepal

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Uma avalanche repentina na fronteira entre o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26) deixou mortos e centenas de desaparecidos. Vídeos mostram cenas assustadoras: a onda de lama desce o vale arrastando pontes, cobrindo um prédio e engolindo vilas na área turística da região. É a pior tragédia na região em mais de dez anos.

Ao menos 95 corpos foram recuperados após inundações torrenciais nas áreas fronteiriças do Himalaia, entre o Nepal e o Tibete. Do lado da China, autoridades confirmaram três mortos e 265 desaparecidos após um deslizamento de terra. Quase 400 viajantes, incluindo centenas de estrangeiros, foram dados como desaparecidos.

Encaixado entre a Índia e a China, o Nepal, abriga oito dos 14 picos mais altos do mundo. A região faz parte dos Himalaias, que é uma das maiores cadeias de montanhas da Terra e tem o Everest como seu pico mais famoso.

A causa da tragédia ainda é analisada. A agência nacional de desastres confirmou que houve “uma avalanche de neve e rochas”. Horas antes, um terremoto atingiu a região, mas ainda não está claro como os dois eventos se conectam.

Montanha, vales e geleiras

A região combina montanhas extremas, vales estreitos e geleiras que armazenam não apenas neve e gelo, mas também água líquida. Essas características ajudam a entender por que uma avalanche pôde desencadear um desastre de tamanha escala.

Uma geleira que também é reservatório de água

Pelas imagens de satélite, dá para identificar com clareza a área de onde partiu a avalanche: uma encosta glacial na fronteira entre os dois países. Segundo os especialistas, duas condições prévias ajudam a entender o cenário em que o desastre ocorreu.

A primeira é a própria estrutura do ambiente glacial: ao contrário do que a paisagem sugere, aquelas geleiras não são formadas apenas por gelo. Elas armazenam água líquida em diferentes camadas.

A segunda é o período do ano: a região vive atualmente a monção, estação chuvosa que costuma elevar o volume de água acumulada nos sistemas glaciais. Houve chuva persistente nos dez dias anteriores ao desastre na região, além de precipitação moderada a forte no sul do Tibete — o que pode ter aumentado o volume de água já disponível na bacia do rio Trishuli antes mesmo da avalanche.

Juntas, essas duas condições — água armazenada na geleira e chuva acumulada na região — compõem o cenário em que a avalanche ocorreu, mesmo que sua causa exata ainda não tenha sido determinada.

Como a avalanche vira uma represa natural?

O evento que deu início à sequência foi uma avalanche de gelo, neve e rocha, cuja causa ainda é desconhecida. Ao descer pela encosta, a massa arrastou sedimentos e blocos de rocha até atingir o Rio Trishuli, provocando uma obstrução parcial ou total do curso d’água e formando uma barragem natural.

Represada, a água começou a se acumular rio acima. Com o volume crescendo, a pressão sobre essa barreira improvisada também aumentou, até o ponto em que a água passou a transbordar com pressão, arrastando tudo que tinha pela frente.

As imagens do desastre são impressionantes: um volume massivo de água e lama que desce montanha abaixo, com um rio violento que cobre vilarejos, enquanto pessoas tentam correr.

“Isso causa uma cheia repentina, sem que ninguém pudesse se preparar para esse volume de água”, explica Gerardo Portela, especialista em gerenciamento de riscos.
Autoridades do Nepal e do Tibet disseram que o desastre não foi captado por suas ferramentas de risco.

E qual é o papel do terremoto?

Horas antes do desastre, um terremoto de magnitude 4,4 e com 10 quilômetros de profundidade foi registrado. Os especialistas apontam que ainda não há como dizer com certeza, mas há uma suspeita de que tenha relação com a ruptura do barramento que causou a enxurrada.

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