Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026

Home Política Terrenos, carros de luxo e investimentos elevam patrimônio do ex-líder do governo Lula, Jaques Wagner, em oito anos

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A venda de imóveis, a compra de carros de luxo e os investimentos em renda fixa puxaram o salto de R$ 3,3 milhões para R$ 24 milhões declarados pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) entre 2018 e este ano. A evolução patrimonial corresponde a um crescimento de 630% e ocorre no momento em que o parlamentar é investigado pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de que ele tenha recebido vantagens indevidas de empresários ligados ao Banco Master. Wagner nega irregularidades e afirma que provará sua inocência.

Segundo dados declarados pelo senador ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o maior ganho do senador corresponde a um crédito de R$ 13,8 milhões decorrente da venda de uma área de 51 mil metros quadrados para o Esporte Clube Bahia e a Lagoons Empreendimentos SPE Ltda. O terreno fica localizado às margens da Via Metropolitana, rodovia planejada para conectar a região metropolitana de Salvador e cuja construção foi contratada durante a gestão de Wagner no comando do estado.

A transferência da área para o clube de futebol chegou a ser barrada no mês passado por decisão do ministro André Mendonça. À época, a defesa do parlamentar negou irregularidades e argumentou que a negociação foi iniciada em 2024, antes da operação.

A declaração de bens deste ano também mostra que o senador manteve um apartamento na capital baiana, no valor de R$ 1,6 milhão, e um sítio no município de Andaraí (BA), cujo valor decaiu de R$ 294 mil para R$ 204 mil nos últimos oito anos. Os investimentos de Wagner em renda fixa saltaram, no entanto, dos R$ 748 mil declarados em 2018 para mais de R$ 7,4 milhões. Os valores são distribuídos em títulos comprados nos setores imobiliário e hospitalar, além de ações de estatais como a Copel, do Paraná, e a Cemig, de Minas Gerais.

O patrimônio do senador também mudou em função dos carros adquiridos pelo parlamentar. Em 2018, o senador tinha carros populares, de fabricantes como Hyundai (R$ 42 mil), Toyota (R$ 72 mil) e Mitsubishi (R$ 55 mil). Já neste ano, o senador declarou veículos de marcas de luxo, como Audi (130 mil), Mercedes Benz (125 mil) e Chrysler (80 mil). O senador também informou que é dono de carros Volkswagen (100 mil) e BYD (135 mil), além de um Ford de modelo 1929 (R$ 5 mil), já declarado em 2018.

Investigação

Desde junho, Wagner é investigado pela Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o Banco Master e empresários ligados à instituição financeira. Segundo a Polícia Federal (PF), há indícios de que o senador tenha recebido uma série de vantagens indevidas em troca de atuação política favorável aos interesses do grupo investigado.

Entre os benefícios apontados pelos investigadores estão a suposta aquisição de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em cerca de R$ 2,45 milhões, voos em aeronaves privadas, ingressos para um show da cantora Taylor Swift e repasses de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar. A PF também afirma que há indícios de que Wagner mantinha investimentos em certificados de depósito bancário (CDBs) do Banco Master.

Na semana passada, André Mendonça, relator do caso no Supremo, retirou o sigilo de parte da investigação. Os documentos tornados públicos detalham mensagens, planilhas, registros financeiros e conversas utilizadas pela PF para sustentar a hipótese de que empresários ligados ao Master concederam benefícios ao senador e a pessoas próximas a ele.

Wagner nega todas as acusações. Após ser alvo da operação da PF, em junho, o senador afirmou que mantém relação de amizade com o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, mas rejeitou qualquer contrapartida em favor do banco. (Com informações do jornal O Globo)

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