Domingo, 08 de Novembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de novembro de 2026
A Tesla vai encerrar gradualmente a produção da Cybertruck em sua fábrica no Texas por volta de meados de 2027, afirmou Elon Musk, CEO da montadora, nesta sexta-feira (6), após anos de vendas persistentemente fracas de um modelo futurista que chegou a ser apresentado como concorrente das picapes tradicionais.
A decisão representa um recuo importante em um dos projetos favoritos de Musk. Em uma publicação no X, o empresário disse que a redução da produção permitirá à Tesla fabricar mais unidades do Cybercab, robotáxi que ocupa posição central em suas ambições de desenvolver veículos autônomos, mas que ainda não comprovou sua viabilidade comercial.
O anúncio ocorre ao fim de uma semana difícil para Musk. Seus gastos recordes em campanhas políticas, de quase US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões), tiveram pouco resultado nas eleições legislativas desta terça-feira (3) nos Estados Unidos, com a grande maioria dos candidatos republicanos que ele apoiou perdendo as disputas.
Juntas, suas empresas perderam cerca de US$ 180 bilhões em valor de mercado ao longo da semana.
Ainda não está claro se a produção da Cybertruck será transferida para outra unidade ou se o modelo será totalmente descontinuado. A fábrica da montadora em Austin, porém, é a única instalação conhecida da Tesla equipada para fabricar os componentes especializados da picape pesada e de design angular.
Em resposta a um usuário no X, Musk chamou a Cybertruck de “melhor veículo que a Tesla já produziu” e o encerramento gradual da fabricação de “fim de uma era”.
A Tesla vem deslocando seu foco para robótica e direção autônoma. Analistas afirmam que a transição ocorre em detrimento do negócio de veículos elétricos, que a empresa ajudou a desenvolver, enquanto concorrentes chineses avançam.
A montadora americana começou a entregar a Cybertruck aos clientes no fim de 2023. Segundo a Kelley Blue Book, plataforma de dados automotivos, a empresa vendeu apenas 20.237 unidades nos Estados Unidos no ano passado, queda de 48% em relação às 38.965 unidades de 2024. Por volta do início da produção, em 2023, Musk havia previsto vendas anuais de 250 mil unidades.
“Não faz sentido continuar com ela quando não está atingindo suas metas”, afirmou Andy Palmer, ex-presidente-executivo da Aston Martin. “Qualquer profissional racional da indústria automobilística diria o mesmo.”
“Sem dúvida, será apenas um erro de arredondamento no balanço da Tesla, mas as estatísticas falam por si.”
A SpaceX, empresa de Musk, foi uma das maiores clientes do modelo no ano passado e comprou Cybertrucks da Tesla no valor de US$ 131 milhões em 2025, a preços de tabela, segundo seu documento de abertura de capital.
Desde sua apresentação, em 2019, a Cybertruck foi uma escolha controversa de Musk. Puristas das picapes ridicularizaram seu design angular, e especialistas em segurança previram dificuldades para obter autorização de venda em mercados importantes, como a Europa.
O próprio evento de apresentação foi marcado por um episódio em que Musk tentou demonstrar que as janelas eram à prova de estilhaçamento, lançando bolas de metal contra elas. O teste, porém, deixou grandes rachaduras em duas das janelas.
No lançamento oficial da Cybertruck, em 2023, Musk a apresentou como uma concorrente futurista das picapes da General Motors (GM) e da Ford, afirmando que “finalmente, o futuro terá a aparência do futuro”.
Mas o modelo não conseguiu corresponder às expectativas. A Tesla fez 11 recalls da Cybertruck desde que ela começou a ser vendida, no fim de 2023, segundo a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA). Alguns veículos exigiram reparos físicos, enquanto outros foram corrigidos por atualizações de software remotas.
O analista automotivo Felipe Munoz afirmou que, embora a Cybertruck tenha sido considerada um fracasso por suas vendas fracas, picapes elétricas da Ford e de outras montadoras também fracassaram no mercado americano.
“Todas perderam a disputa porque picapes elétricas não são populares nos Estados Unidos”, disse Munoz.
O design de aço inoxidável com arestas acentuadas da Cybertruck, porém, limitou suas perspectivas em mercados como o europeu, onde os veículos elétricos são mais populares. A aprovação regulatória para a Europa era impossível devido às regras sobre impacto contra pedestres.
“Em qualquer lugar onde as normas de colisão levem em conta o impacto sobre pedestres, a Cybertruck não vai, não pode ir”, afirmou Palmer, ex-presidente-executivo da Aston Martin. (Com informações da Folha de S.Paulo)